Execução nos EUA reacende críticas
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terça-feira, 19 de junho de 2001
Das AgênciasDe Terre Haute, EUA 
Depois de desculpar-se pela dor e sofrimento que causou, o cidadão norte-americano nascido no México Juan Raúl Garza, 44 anos, sentenciado por homicídio e narcotráfico, foi executado ontem na prisão federal de Terre Haute, no Estado de Indiana. Garza converteu-se no segundo réu federal a ser executado desde 1963, oito dias depois da morte do terrorista de Oklahoma City Thimoty McVeigh. A execução ocorreu às 7h09 (horário local), por meio de uma injeção letal, no mesmo local onde McVeigh foi executado.
O réu enfrentou a execução com tranquilidade e, ao contrário de McVeigh, expressou seu remorso. Apenas quero dizer que sinto e ofereço minhas desculpas por toda a dor e sofrimento que causei, disse ele. Peço seu perdão e a bênção de Deus.
Enquanto Garza era executado, cerca de 50 ativistas contra a pena de morte cantavam hinos de protesto do lado de fora da prisão. Desta vez, poucos jornalistas compareceram a Terre Haute. A rádio BBC de Londres colocou no ar o apelo emocionado de um dos filhos de Garza, pedindo que o pai não fosse executado.
Garza foi a primeira pessoa executada de acordo com a lei antidrogas de 1988. Ele foi considerado culpado de assassinar um homem com cinco tiros na cabeça e no peito e de ordenar a morte de outros dois, motivado pela operação de contrabando de maconha que era dirigida por ele.
Apesar de denúncias de que a pena de morte é aplicada desproporcionalmente a pessoas de minorias étnicas em casos federais, o presidente George W. Bush e a Corte Suprema dos Estados Unidos negaram-se na segunda-feira a postergar ou comutar a execução de Garza.
Alguns oponentes da pena capital e vários ex-funcionários do Departamento de Justiça se perguntaram se Garza teria sido condenado à pena capital por ser de outra etnia. Seis dos 19 réus condenados à pena de morte pela Justiça federal foram sentenciados no Texas. Todos eles são de minorias raciais.
O porta-voz de Bush, Ari Fleischer, respondeu aos críticos destacando que as vítimas de Garza eram latinas, assim como o promotor, o juiz e pelo menos seis dos dez membros do Júri. Por causa destes questionamentos e das críticas internacionais, o ex-presidente Bill Clinton adiou em vários meses a execução de Garza, que deveria ter ocorrido no final de seu mandato.
ComemoraçãoOntem o município de Roma iluminou o Coliseu com luzes multicolores para celebrar a recente abolição da pena de morte no Chile. A cerimônia, denominada O Coliseu acende a vida, foi presidida pelo ministro da Justiça chileno, José Antonio Gómez, e o prefeito da capital italiana, Walter Veltroni. Roma lidera uma campanha pela abolição da pena capital em todo o mundo, e cada vez que isso ocorre em algum país, o histórico Coliseu é iluminado.
Amanhã começa em Estrasburgo (Nordeste da França) o primeiro Congresso Mundial contra a Pena de Morte. A proposta é convencer metade dos países do planeta a suprimir a pena capital e fazer um pedido solene da moratória mundial das execuções. Cerca de 110 pessoas vão participar do Congresso, entre elas 18 presidentes de Parlamentos da Europa, Ásia, América Latina e África e ex-condenados à pena de morte.


