Excesso de erros
e de chuva estão na
raiz do desastre

Ciro Fusco/France Presse
TristezaNa localidade de Episcopio, resgate atua sob olhares da população atônita: governo não é poupado de críticasEspecialistas em deslizamentos atribuem a tragédia ao desmatamento, à construção de moradias frágeis em terrenos instáveis, à falta de infra-estrutura e de planejamento urbano e à recusa de milhares de pessoas de deixar casas declaradas sob risco havia anos. A natureza também teve sua parte. O excesso de chuva que caiu no período de uma semana - 150 milímetros - superou em muito os níveis registrados na região.
A tragédia provocou críticas ao governo. A União Européia também foi alvo dos políticos locais, que acusam o governo de cortes orçamentários para atender aos rígidos requisitos antes de a Itália aderir ao euro, moeda única européia, em 1999.
O presidente Oscar Scalfaro abreviou sua visita à Suécia e retornou ontem à noite ao País. ‘‘Por enquanto temos de aliviar os efeitos da tragédia e remover a lama o mais rápido possível’’, declarou Scalfaro. O ministro do Interior, Giorgio Napolitano, visitou os municípios afetados e declarou ter visto uma cena ‘‘indigna de um país civilizado’’. O governo prometeu enviar, por ora, uma ajuda imediata de cerca de US$ 29 milhões.
Uma declaração emitida pelo gabinete do primeiro-ministro Romano Prodi informou que os ministros das principais pastas do governo discutirão hoje em reunião emergencial uma série de medidas a serem tomadas para lidar com a tragédia.
Prodi, em visita aos Estados Unidos, disse que os desastres ocorridos na Itália se devem muito a fatores naturais, mas também ‘‘a uma antiga negligência das autoridades em lidar com a terra. Uma antiga negligência que requer agora uma cura duradoura’’, afirmou.

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