A China executou ontem, para dar o exemplo, o mais alto dirigente chinês já condenado à morte por corrupção, mas, ao mesmo tempo, mantém um prudente silêncio sobre o processo que envolve um outro grande escândalo de contrabando, temendo que esses contratempos desestabilizem o regime.
Em uma breve nota, a agência oficial Nova China informou sobre a execução do ex-vice-presidente do parlamento chinês, Cheng Kejie, 67 anos, condenado à morte em julho passado por ter aceito, ‘‘em colaboração com sua amante’’, subornos no valor de 41 milhões de iuanes (4,9 milhões de dólares) quando era presidente da região autônoma de Guangxi (sul), entre 1990 e 1997.
A execução ocorreu enquanto os meios de comunicação chineses continuavam ontem observando um quase silêncio total sobre o julgamento do maior escândalo de contrabando e corrupção revelado na China desde 1949, e que começou simultaneamente em cinco cidades da província costeira de Fujian (sudeste).
Apenas a agência oficial fez ontem uma breve e discreta alusão a este processo, em uma nota que informava que 104 altos dirigentes foram objeto de uma investigação por corrupção durante os oito primeiros meses deste ano.
‘‘O regime quer pôr um freio na corrupção, mas sem desestabilizar o sistema’’, comentou Jean Pierre Cabestan, diretor do Centro de Estudos Francês sobre a China Contemporânea, enfatizando, por outro lado, a complexidade dos processos de Fujian.
Entre 200 e 600 responsáveis podem estar envolvidos neste escândalo de contrabando que ocupa as primeiras páginas dos jornais desde o ano passado.
No centro do escândalo se encontra Lai Changxing, o presidente de YuanHua, um grupo de Hong Kong, acusado de ter pago subornos a dirigentes civis e militares para importar petróleo, borracha, carros e cigarros de contrabando.
O escândalo, que envolve milhares de milhões de dólares, atinge diretamente o regime comunista, das alfândegas à polícia, passando pelo governo, o Partido central e o exército.
‘‘Aparentemente as autoridades esperam controlar o incêndio e não mostrar muito abertamente que o conjunto do sistema está podre’’, assinala Cabestan, ao explicar o motivo do silêncio das autoridades.
Até o momento, não se pôde obter qualquer informação sobre a identidade das pessoas julgadas, mas, segundo a televisão Phoenix, de Hong Kong, nenhuma personalidade do primeiro plano figura entre os acusados.

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