Ex-repressor deve ser cassado
Agência Estado
De Buenos Aires
Falta de idoneidade moral. Com este argumento, deputados da Aliança UCR-Frepaso e de grande parte do peronismo tentarão impugnar hoje a vaga de deputado federal do general Antonio Domingo Bussi, um dos ex-repressores mais famosos da última ditadura militar argentina (1976-83). Bussi foi eleito em outubro pela empobrecida província canavieira de Tucumán e tomaria posse no dia 10.
No entanto, grande parte de seus colegas parlamentares opõe-se a ter sua presença nas sessões: Bussi é acusado de ter sido um dos principais sequestradores dos filhos dos prisioneiros políticos da ditadura. A leitura da impugnação terá um orador especial: o veterano deputado socialista Alfredo Bravo, ele próprio torturado durante a ditadura. Analistas consideram que o movimento contra Bussi já tem a adesão dos dois terços necessários da Câmara.
Bussi foi comandante do Campo de Mayo, considerado o segundo maior centro de detenção e tortura durante a ditadura. Calcula-se que três mil pessoas passaram por ali, a grande maioria das quais morreu nos vôos da morte. Nestes vôos, os prisioneiros eram colocados em aviões e dali eram jogados vivos ao Rio da Prata. Testemunhas sustentam que em diversas ocasiões, o próprio Bussi empurrava as vítimas para fora dos aviões Hércules. Bussi é acusado de ter ordenado a morte de 800 pessoas. Com a volta da democracia, Bussi foi julgado e posteriormente anistiado. Em 1989 foi eleito deputado, e em 1995, governador de Tucumán.
Apesar de seu passado de violento ex-repressor, a impugnação de Bussi virá por outro lado: será julgado por falsidade ideológica, cometida pelo militar ao não declarar uma conta bancária na Suíça, e também por enriquecimento ilícito. Sem imunidade, será processado.





