''Até as 10 horas da manhã as notícias ainda não tinham chegado no 10º andar do prédio aonde funciona a editora de livros Penguim Books, localizada na zona central de Londres, a poucos quarteirões da Trafalgar Square, e onde trabalho como hospitality, servindo cafés e almoços para os diretores da editora.
Por volta das 11 horas, os primeiros boatos de que as estações de metrô estavam fechadas começaram a alarmar os funcionários, mas a notícia de bomba só chegou por volta do meio-dia. De qualquer forma, era só olhar pela janela pra saber que alguma coisa muito grave tinha acontecido. As sirenes de polícia, bombeiros e ambulâncias cortavam a cidade e as pessoas andavam transloucadas pelas ruas, sem saber ao certo o que tinha acontecido.
Durante todo o dia as notícias eram divulgadas de forma desencontrada e não conseguimos saber com certeza quantos tinham morrido ou se ferido. Até as autoridades policiais davam informações erradas, chegando a divulgar seis explosões inicialmente.
Quando por volta das 15 horas a televisão começou a divulgar o número de mortos e feridos a explosão de tristeza foi geral. A tensão acumulada veio à tona e muita gente chorou. Conversei com alguns brasileiros que disseram estar dispostos a voltar para o Brasil o mais rápido possível.
Ficamos sem sinal de celular quase o dia inteiro e era quase impossível saber notícias dos amigos e parentes. O sistema de ônibus voltou a funcionar, gratuito. Eu levei duas horas num percurso que geralmente faço em 40 minutos de metrô e os ônibus não estavam superlotados. Com certeza amanhã (hoje) Londres vai amanhecer com flores por todos os locais dos atentados, como é o costume do povo inglês.''

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