Ex-protegido dos EUA se retira da coalizão
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quinta-feira, 20 de maio de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Ahmed Chalabi, integrante do Conselho de Governo provisório iraquiano, cuja casa e escritórios foram invadidos na manhã de ontem por soldados americanos, afirmou que suas relações com a Autoridade Provisória da Coalizão (APC), liderada pelos Estados Unidos, ''são inexistentes''.
''Minha relação com a Autoridade Provisória da Coalizão agora já não existe (...)'', disse durante uma entrevista. Chalabi foi um dos principais apoiadores da Guerra do Iraque. Segundo autoridades norte-americanas, as tropas que invadiram a casa de Chalabi em Bagdá, que também abriga seu quartel-general, procuravam fugitivos da Justiça.
A polícia isolou a área da casa de Chalabi no distrito de Mansour, na capital iraquiana, e impediu o acesso da imprensa. Chalabi explicou que por pouco foi evitado um confronto entre seus guardas, a polícia iraquiana e as tropas americanas. ''Sou o melhor amigo dos Estados Unidos no Iraque; se a APC julga necessário dirigir um ataque armado contra minha casa, vocês podem imaginar o estado das relações entre a APC e o povo iraquiano'', acrescentou Chalabi.
''Eu abri uma investigação de um programa (da ONU) que lançou dúvidas sobre a integridade das Nações Unidas aqui e eles não gostaram'', acrescentou. Ex-representante do Pentágono no Iraque, Chalabi, um xiita laico, também solicitou ao presidente George W. Bush a transferência sem demora da soberania ao povo iraquiano. ''Minha mensagem à APC é que deixe meu povo recuperar sua liberdade'', concluiu.
A edição de ontem do jornal ''The New York Times'' afirmava que os EUA iam suspender os pagamentos mensais de US$ 350 mil dólares ao Conselho Nacional Iraquiano (CNI), liderado por Chalabi, por considerar que as informações passadas pela entidade, em um programa secreto, eram inúteis.
Os pagamentos feitos através da Agência de Inteligência de Defesa começaram em 2002 e terminarão no dia 30 de junho deste ano, data da transferência da soberania ao povo iraquiano, disse uma fonte do grupo de Chalabi, cujo nome não foi divulgado pelo jornal. Com pelo menos US$ 27 mi, o programa secreto ajudou o CNI a reunir informações no Iraque, mas avaliações do governo americano concluíram que muitos dados fornecidos antes da invasão ao Iraque, eram inúteis, enganosos ou inventados, destaca o jornal.


