Ex-presidente Suharto é colocado em prisão domiciliar
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segunda-feira, 29 de maio de 2000
Associated Press De Jacarta 
Depois de meses de atrasos, procuradores indonésios colocaram ontem o ex-presidente Suharto sob prisão domiciliar e prometeram que o ex-ditador será formalmente acusado, nos próximos meses, de enriquecimento ilícito.
O porta-voz da Procuradoria-geral, Yushar Yahya, informou que Suharto já está impedido de deixar sua casa no centro de Jacarta para que o julgamento possa ser iniciado antes de 10 de agosto. Isso é para garantir que o interrogatório continuará, declarou Yahya.
A prisão, sugerida há uma semana pelo procurador-geral Marzuki Darusman, foi incentivada pela crescente pressão pública, incluindo protestos violentos organizados por estudantes que exigiam a adoção de ações mais rigorosas contra o ex-ditador.
O advogado de Suharto, Juan Felix Tampubolon, imediatamente contestou a decisão dos procuradores, classificando a prisão domiciliar como desnecessária e ilegal. Vai contra o sistema jurídico criminal, disse.
A situação de Suharto evoca, ironicamente, o mesmo destino de seu antecessor na chefia do governo, Ahmed Sukarno, morto em 1970, três anos após ser derrubado pelos militares e posto sob prisão domiciliar.
Suharto, general de cinco estrelas, foi forçado a abandonar a presidência em 1998, no auge de um grave levante pela democracia. Para trás, deixou um legado de nepotismo e corrupção endêmica.
Ele foi indiciado como o principal suspeito em uma investigação sobre malversação de fundos de inúmeras instituições de caridade administradas por ele e por seus parentes. O ex-presidente, que acumulou uma fortuna de bilhões de dólares enquanto esteve no poder, rejeita as alegações.
Suharto, com 79 anos, foi interrogado várias vezes em casa, apesar das alegações de seus advogados de que está mentalmente incapacitado. Vários de seus filhos também já foram interrogados no caso anticorrupção.


