Ex-presidente Sadr aponta dilemas de Mohammad Khatami
Reali Júnior
Agência Estado
De Paris
Depois da nítida vitória obtida nas urnas, o presidente iraniano Mohammad Khatami e seus amigos vão ser daqui por diante julgados por seus atos. A situação, segundo o ex-presidente Bani Sadr, atualmente no exílio em Paris, é a seguinte: Ou os reformistas se inserem no interior do regime islâmico em oposição à vontade popular manifestada no pleito ou se colocam fora, numa posição que fatalmente os conduzirá a um confronto.
Esse é o grande dilema atual do Irã para o ex-presidente iraniano que analisou os caminhos da evolução política nesse país, comparando a posição do atual presidente Mohamed Khatami com a de Mikhail Gorbatchev durante a perestroika, quando pretendeu abrir o regime comunista sem modificá-lo mais profundamente nas suas estruturas.
A seu ver, a própria composição do novo parlamento, mesmo depois da vitória, não é compatível com a manifestação popular, pois mais de 600 pessoas que poderiam ser eleitas tiveram suas candidaturas vetadas pelo Conselho da Constituição Islâmica, de onde emana o verdadeiro poder dos conservadores, obediente ao guia Ali Khamenei.
Assim sendo, a liberdade de se apresentar não existiu e só os que passaram pelo crivo desse conselho puderam ser votados, obrigando a população a votar contra o pior, sem poder escolher livremente seus candidatos. Para Bani Sadr, o parlamento é a grande interrogação e sua legitimidade vai depender do que ele fará no futuro. O que tem sido mais positivo nesse processo é o desejo de liberdade manifestado pelo povo iraniano que votou maciçamente contra a ditadura fazendo com que, a partir de agora, o parlamento não mais poderá agir como o anterior.





