Ex-presidente Clinton critica Chávez e Bush em São Paulo
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quinta-feira, 23 de junho de 2005
Folhapress 
São Paulo - O ex-presidente americano Bill Clinton (1993-2001), 58, criticou o seu sucessor, George W. Bush, e o líder venezuelano Hugo Chávez durante palestra a empresários ontem, em São Paulo. A rápida passagem do democrata pelo Brasil incluiu também uma sessão de autógrafos num shopping, que atraiu cerca de 400 fãs.
A palestra de Clinton lotou o salão de conferências de um hotel de luxo em São Paulo. Apesar de a organização ter providenciado cadeiras extras, muitos ouviram o ex-presidente de pé, a um custo de R$ 2.000 por pessoa. Clinton usou o que chama de ''interdependência'' para guiar a maior parte da sua palestra, que durou cerca de uma hora.
''Eu prefiro muito mais a palavra ''interdependência' à palavra ''globalização''. Por duas razões: em primeiro lugar, ''globalização' tem, para muitas pessoas, um significado sobretudo econômico (...). O segundo motivo é porque acredito que não haja um fenômeno exclusivamente internacional. Dentro dos países, há uma crescente diversidade étnica, racial e religiosa e uma necessidade de contatos culturais entre pessoas por todo o território.''
O democrata usou o termo para criticar o unilateralismo de seu sucessor, George W. Bush. ''O atual governo o qual tento apoiar sempre que posso, mas há diferenças decidiu se retirar da interdependência na hora de combater o aquecimento global, da assinatura do Tribunal Penal Internacional e do cumprimento do Tratado para Eliminação Abrangente de Testes Nucleares. Mais perdemos que ganhamos ao não nos unirmos a esses grupos.''
Outro exemplo negativo foi o do presidente venezuelano: ''O senhor Chávez, agora que o petróleo está US$ 60 o barril, pode bancar uma posição mais nacional e fazer bastante barulho sobre não cooperar com a América ou qualquer outro (país). Mas ele tem ressonância entre as pessoas pobres em todo o continente, que se sentem deixadas para trás''. Não faltaram elogios ao Brasil (''liderará o mundo, de uma forma ou de outra'') e conselhos de auto-ajuda (''não veja as críticas como pessoais, mas seriamente'').


