Ex-mulher de Fujimori denuncia Vladimiro Montesinos por tortura
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quarta-feira, 15 de novembro de 2000
France Presse De Lima 
A congressista Susana Higuchi, que é divorciada do presidente Alberto Fujimori, revelou ontem que foi torturada várias vezes inclusive no último mês de junho por ordens do ex-assessor de seu marido, Vladimiro Montesinos. As declarações foram colocadas em dúvida ontem pelo médico de Higuchi, Carlos Mauricci.
Higuchi declarou que ainda sente dores da violência que algumas pessoas não identificadas usaram contra ela no hospital Loayza, de Lima, onde foi internada no dia 4 de junho e de onde foi salva por sua irmã.
Queriam me matar, disse Higuchi que culpou Montesinos porque eu era um obstáculo no caminho da cúpula que rodeou Fujimori desde sua chegada ao poder em 1990. Ela não acusou o ex-marido porque não tem provas.
A congressista contou que ao recuperar a consciência depois do ter ficado em coma, seu corpo foi manipulado na Unidade de Tratamento Intensivo.
Me amarraram e torturaram, mas não foi a primeira vez porque já fizeram antes no pentagonito (sede do Comando Geral del Exército), outra no Palácio do Governo quando colocavam substâncias para dormir em minha comida e também em minha casa já depois de eleita, revelou.
Ela relatou que lhe aplicavam eletrochoques, queimavam suas costas, sua casa sofria cortes de luz ou sobrecarga de energia que provocavam curtos-circuitos, além de assaltos pessoais e roubos a sua casa.
Contudo, o médico Mauricci, diretor do hospital Loayza (estatal), disse a Rádioprogramas do Peru que o que foi dito por Susana Higuchi não aconteceu assim.
A senhora foi internada muito debilitada por causa de seu problema de asma, ficou com duas pessoas de sua confiança e em menos de 24 horas se retirou por sua própria capacidade, explicou o médico, que também é assistente pessoal de Higuchi.
Mauricci se surpreendeu porque a ex-primeira-dama não apresentou uma queixa pela tortura que disse ter sofrido no hospital.
Higuchi e Fujimori se divorciaram em 1994, mas suas divergências começaram em 1992 quando ela acusou os irmãos do presidente de comercializar roupas usadas doadas pelo Japão para pessoas carentes.


