Associated Press
De Ancara
Ahmet Taner Kislali, um preeminente intelectual pró-secularismo turco de 60 anos, foi morto ontem na explosão de uma bomba plantada no pára-brisa de seu carro.
Kislali, um professor de ciências políticas e ex-ministro de Cultura, frequentemente usava sua coluna no jornal ‘‘Cumhuriyet’’ para denunciar a infiltração de movimentos radicais nos círculos do poder da Turquia.
A polícia suspeita que grupos islâmicos armados sejam responsáveis pelo atentado. Dois homens foram detidos ontem próximo à casa de Kislali. Segundo a imprensa, um grupo chamado Frente dos Atacantes da do Grande Oriente Islâmico reivindicou a autoria do atentado, mas autoridades não confirmaram a informação.
Em sua coluna desta semana, Kislali denunciou líderes turcos e sua tolerância ao fundamentalismo religioso e mencionou o caso de um líder de uma seita islâmica por ter dito que o terremoto de agosto – que matou mais de 17 mil pessoas – era uma vingança de Deus pelo secularismo.
Vários jornalistas e professores foram mortos nas últimas décadas na Turquia por grupos fundamentalistas islâmicos.
Por outra parte, os advogados do líder curdo Abdullah Ocalan entraram ontem em Ancara com um recurso junto a uma corte de apelações pedindo um novo julgamento para seu cliente, o que poderia levar ao cancelamento da pena de morte. O juiz Demeriel Tavil afirmou que o veredicto da corte de apelações deverá ser conhecido em 25 de novembro, justamente quando a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) realizará sua reunião de cúpula e deverá cobrar da Turquia que poupe a vida de Ocalan.

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