São Paulo - O ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky deixou ontem o campo de detenção de Segezha, no noroeste da Rússia, depois do indulto do presidente Vladimir Putin. Um dos principais opositores ao chefe de Estado, ele é solto após cumprir dez anos de pena por lavagem de dinheiro, evasão fiscal e fraude.
Segundo o Serviço Penitenciário russo, o magnata deixou a prisão às 12h20 locais (6h20 em Brasília), pouco após a assinatura do decreto de anistia por Putin. O advogado de defesa, Vadim Klyuvgant, confirmou a soltura, mas não deu detalhes.
Para o defensor do povo da Rússia, Vladimir Lukin, a medida terá uma repercussão positiva. "Nossa sociedade está doente de medo, ódio, desconfiança excessiva mútua e outros males", disse o ouvidor, que considerou as medidas como o indulto como uma espécie de remédio.
O indulto foi anunciado por Putin em entrevista coletiva na quinta-feira. O presidente afirmou que a defesa do ex-magnata lhe enviou um apelo. "Ele já passou mais de dez anos na prisão, já é um castigo sério. Ele se baseia em questões de caráter humanitário, já que sua mãe está doente."
A defesa, no entanto, nega ter enviado qualquer pedido. O jornal russo Kommersant informou ontem que o apelo foi feito após pressão dos serviços secretos russos para que ele pedisse o indulto. Até agora, ele havia negado fazer qualquer apelo porque seria um reconhecimento de sua culpa no caso.
Até então o homem mais rico da Rússia, ele foi acusado de lavar US$ 23,5 milhões (R$ 54 milhões) e roubar petróleo de poços estatais. A condenação é vista por grupos de oposição e de direitos humanos como uma vingança do presidente, que o acusa de tentar retirá-lo do poder na época.
Em agosto, a Justiça reduziu sua pena em um ano, de modo que ele seria liberado em agosto de 2014. No entanto, a defesa havia afirmado que recorreria da decisão, por considerar que a prisão foi política.
Devido ao processo, a empresa petroleira de Khodorkovsky, que era avaliada em US$ 40 bilhões (R$ 112 bilhões), faliu. Investidores estrangeiros veem a prisão do magnata como o primeiro indício da crescente intervenção na economia da primeira presidência de Putin, encerrada em 2008.

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