Associated Press
Tommaso Buscetta, o mais importante mafioso arrependido, costumava dizer que passou no Brasil os dias mais felizes de sua ‘‘atribulada’’ existência. Aqui, casou-se com a brasileira Maria Cristina de Almeida Guimarães, com quem teve dois filhos.
Maria Cristina, que o acompanhou até os últimos momentos, é filha do advogado Homero Guimarães. O casamento com Maria Cristina foi o terceiro de Buscetta. Os dois primeiros foram classificados de bigamia. Ao quebrar o rígido princípio dos clãs sicilianos do matrimônio indissolúvel, ele teria irritado profundamente os chefões.
Buscetta foi detido pela primeira vez no País em 1972, sob a acusação de falsidade ideológica. Expulso, seguiu para a Itália e, mais tarde, retornou ao Brasil pela fronteira argentina. Preso pela segunda vez em 1983, ele acabou sendo deportado para os Estados Unidos.
Buscetta tentou em várias ocasiões voltar a morar em São Paulo por meios legais. Seus advogados nada conseguiram, embora argumentassem que a mulher e os filhos dele eram brasileiros e a polícia do Brasil nada tinha contra ele.
Buscetta convenceu-se a trair o crime organizado graças ao Programa de Proteção de Testemunha, criado a partir do julgamento de líderes da Máfia e baseado nas regras férreas de fidelidade. Ele foi o primeiro arrependido que ajudou com suas informações a prender centenas de mafiosos.
Segundo o procurador da Antimáfia da Itália, Pietro Grasso, a idéia do Programa de Proteção as Testemunhas surgiu em 1984, quando o mafioso, preso no Brasil, resolveu colaborar com a polícia.

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