Ex-líder da Irlanda teme fronteira após Brexit
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sexta-feira, 22 de julho de 2016
Isabel Fleck<br>Folhapress 
São Paulo - Quando Mary Robinson se tornou a primeira mulher presidente da Irlanda, em 1990, a ilha vivia sob o conflito armado no vizinho do norte, que matou mais de 3,5 mil pessoas em três décadas. Hoje, Robinson, de 72 anos, vê na decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia uma ameaça ao processo de paz na Irlanda do Norte e a volta de uma "fronteira". "Há uma grande preocupação de que isso possa significar, de novo, uma fronteira na nossa ilha. Hoje somos todos parte da União Europeia", disse Robinson.
A ex-presidente - que hoje é enviada especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, para mudanças climáticas - ressalta que uma nova divisão não é da vontade nem da Irlanda e nem da Irlanda do Norte, que votou para permanecer no bloco europeu. "Também estamos preocupados que isso seja prejudicial para o processo de paz na Irlanda do Norte. Sei de muitas pessoas na Irlanda do Norte que estão com medo."
Para ela, os britânicos não debateram, antes do plebiscito, em junho, um tema fundamental: o real sentido da criação da UE, "que foi trazer paz entre nações em guerra".
Robinson, que vem ao Brasil para o evento Fronteiras do Pensamento, e fará sua palestra na segunda (25) em São Paulo, se mostra preocupada com o impacto do Brexit também para os migrantes no Reino Unido e no continente. "Temos que estar muito mais atentos em administrar bem os fluxos migratórios e preservar os direitos dos refugiados sob a convenção [dos refugiados] e o protocolo [adicional] de 1967", disse.
A política considera que a resposta europeia à crise dos refugiados está "muito aquém dos padrões de direitos humanos com os quais a Europa está comprometida". "É lamentável ver mortes todos os dias. Todos os países europeus deveriam assumir sua parcela nessa crise", afirmou.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Robinson participou ativamente das negociações com 175 países que levaram ao Acordo de Paris, durante conferência do clima da ONU em dezembro de 2015. Para ela, o acordo - que estabelece que a temperatura global só poderá subir até um teto de "bem menos" de 2°C, na direção de 1,5°C - não é "forte o suficiente em termos de implementação". "Mas ele é muito importante por ter estabelecido uma nova e clara meta de reduzir as fontes do aquecimento global e de trabalhar por aumento de temperatura de 1,5ºC."


