São Paulo - O ex-líder da Ku Klux Klan, Edgar Ray Killen, 80 anos, condenado na última terça-feira pelo assassinato três jovens, em 1964, que militavam pela igualdade racial no Estado americano do Mississippi (sul dos Estados Unidos), recebeu uma sentença de 60 anos de prisão, anunciada pelo tribunal local ontem.
O júri composto por nove brancos e três negros só chegou ao veredicto de ''homicídio sem premeditação'', depois que a acusação retirou as acusações de assassinato.
Killen, que está em uma cadeira de rodas, e teve o acompanhamento de sua mulher durante o julgamento, não demonstrou nenhuma emoção durante a leitura da sentença. Ele foi brevemente reconfortado por seus familiares antes de ser enviado à prisão. Até ser levado aos tribunais em janeiro passado, Killen vivia tranquilamente a poucos quilômetros de onde aconteceu o crime.
Os três jovens voluntários assassinados integravam uma campanha de registro de negros para incentivar sua participação nas eleições. Michael Schwerner, 24, e Andrew Goodman, 20, eram brancos e vindos de Nova York. James Chaney, 21, era negro e vivia na cidade de Meridan, no Mississippi.
Em 21 de junho de 1964, os três saíram para investigar uma denúncia de que a Klu Klux Klan havia espancado membros de uma igreja e incendiado o local em seguida. No caminho, policiais pararam o veículo em que eles estavam e os prendeu por excesso de velocidade.
Horas depois, os três foram libertados, mas o carro em que estavam foi perseguido por 20 membros da Ku Klux Klan, que, segundo a promotoria, eram liderados por Killen que, na época, era pastor evangélico. Os três ativistas foram executados com tiros à queima roupa e enterrados. Os corpos foram encontrados pelo FBI (polícia federal americana), após 44 dias de buscas.
Em 1967, Killen foi julgado sob a acusação de violar os direitos civis das vítimas. No entanto, ele foi absolvido pelo júri unanimemente branco, com um dos jurados afirmando que não poderia condenar um pastor. Sete outras pessoas foram condenadas, mas nenhuma delas cumpriu pena maior que seis anos de prisão. O crime cometido por Killen ficou famoso devido ao filme ''Mississippi em Chamas'', do diretor Alan Parker.

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