Eleitores comemoram a vitória de George Weah, senador desde 2014, que já havia disputado presidência em 2005 e 2011
Eleitores comemoram a vitória de George Weah, senador desde 2014, que já havia disputado presidência em 2005 e 2011 | Foto: Seyllou/AFP



Monróvia, Libéria – O ex-jogador de futebol George Weah, 51 anos, obteve 61,5% dos votos no segundo turno das eleições presidenciais e foi eleito presidente da Libéria. Senador no país africano, ele derrotou o vice-presidente Joseph Boakai, que fez 38,5% dos votos. O anúncio foi feito ontem Comissão Eleitoral Nacional, após a apuração de 98,1% dos votos.

Astro do PSG e do Milan AC nos anos 1990, George Weah sucederá em 22 de janeiro a presidente em fim de mandato, Ellen Johnson Sirleaf, na primeira transição democrática em mais de 70 anos.

Os liberianos aguardavam com ansiedade os resultados. Em Monróvia, policiais armados estavam a postos nas imediações da sede da Comissão Eleitoral, que havia anunciado que divulgaria os primeiros resultados durante o dia.

Weah sucederá a primeira mulher eleita chefe de Estado na África, que esteve 12 anos no comando do pequeno país, de 4,6 milhões de habitantes, conduzindo a reconstrução depois da guerra civil (1989-2003), que deixou cerca de 250 mil mortos. A presidente Ellen Johnson Sirleaf foi vencedora do prêmio Nobel da Paz embora os críticos, incluindo grande parte da juventude do país, afirmem que o governo dela foi marcado por corrupção e que ela fez pouco para tirar a maior parte dos liberianos da extrema pobreza.

Em 1996, Weah recebeu o Bola de Ouro, único africano agraciado com o prêmio
Em 1996, Weah recebeu o Bola de Ouro, único africano agraciado com o prêmio | Foto: Carlo Ferraro/AFP



A Libéria também foi atingida por uma crise do ebola, que matou milhares entre 2014 e 2016, enquanto uma queda nos preços do minério de ferro desde 2014 prejudicou as receitas de exportação.

O novo presidente da Libéria, que foi o único africano a ganhar a Bola de Ouro do futebol europeu (1995), já havia disputado as eleições presidenciais de 2005 e 2011, e também foi um candidato frustrado à vice-presidência na chapa de Winston Tubman. É senador desde 2014.

O país ainda vive sob a sombra de Charles Taylor, de 69 anos, ex-senhor da guerra e presidente (1997-2003), condenado a 50 anos de prisão, que cumpre no Reino Unido por crimes de guerra e contra a humanidade, cometidos na vizinha Serra Leoa. Outros dois presentes anteriores foram assassinados.

A Libéria é a república moderna mais antiga da África; o país foi fundado por ex-escravos fugidos dos EUA em 1847. Sua última transição democrática foi em 1944; em 1980, houve um golpe militar no país e depois uma guerra civil que durou 14 anos, terminando só em 2003.