Ex-general condenado por genocídio
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quinta-feira, 02 de agosto de 2001
Associated Press<BR>De Haia 
O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPI) condenou ontem o general servo-bósnio Radislav Krstic a 46 anos de prisão. Ele foi considerado culpado do massacre de 8 mil muçulmanos de Sbrenica (leste da Bósnia) em julho de 1995 o maior na Europa desde o Holocausto, na 2ª Guerra Mundial.
Krstic, de 53 anos, é o militar de mais alta patente julgado pelo TPI e o primeiro a ser condenado por genocídio. Ele recebeu também a pena mais severa já aplicada pelo tribunal internacional, criado pelo Conselho de Segurança da ONU em 1993. Ao contrário dos tribunais de Tóquio e Nurenberg que julgaram criminosos de guerra japoneses e nazistas, o TPI não pode impor a pena de morte, apenas prisão perpétua.
A promotoria havia pedido a pena máxima para o general servo-bósnio, mas o juiz Almiro Rodrigues rejeitou, alegando que existem pessoas cuja responsabilidade pela tragédia de Sbrenica é muito maior. Rodrigues referia-se ao ex-presidente servo-bósnio Radovan Karadzic e ao ex-chefe das Forças Armadas servo-bósnias Ratko Mladic ambos foragidos.
O general Krstic compareceu à última sessão do tribunal, vestindo terno preto, camisa branca e gravata amarela. Protegido por vidros à prova de balas, ouviu o pronunciamento do juiz visivelmente tenso.
Antes de ditar a sentença, o juiz Almiro Rodrigues fez um relato pormenorizado das cenas do massacre: milhares de muçulmanos-bósnios homens, mulheres, crianças e idosos tentando desesperadamente escapar das forças servo-bósnias.
O pronunciamento do juiz foi fundamentado principalmente pelo depoimento de 128 testemunhas.
Uma delas, classificada de irrefutável pelo juiz, aponta o general Krstic como comandante do Corpo Drina, que atuou na região de Sbrenica entre 13 e 19 de julho de 1995, quando ocorreram as matanças de cerca de 7 mil soldados da 28ª Divisão do Exército muçulmano capturados pelos servo-bósnios.


