Ex-editora é indiciada por escutas em tabloide
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terça-feira, 15 de maio de 2012
Folhapress 
São Paulo - Rebekah Brooks, ex-conselheira da News International, e outras cinco pessoas se tornaram ontem as primeiras indiciadas pelo escândalo das escutas ilegais do extinto tabloide News of the World.
As seis pessoas, incluindo o marido de Rebekah, Charlie, enfrentarão acusações de ''conspiração para obstruir a ação da Justiça'', três no caso de Rebekah Brooks, anunciou a promotora Alison Levitt.
As acusações estão todas relacionadas com a investigação policial sobre os grampos telefônicos e subornos de funcionários públicos por empregados do News of the World e, neste último caso, também do The Sun, outra publicação da News International, subsidiária britânica do grupo do magnata Rupert Murdoch.
Rebekah e seu marido, Charlie Brooks, lamentaram em um comunicado a decisão, considerando-a ''pouco sólida e injusta''. Charlie é amigo de infância do primeiro-ministro britânico, David Cameron.
Rebekah Brooks, de 43 anos, foi diretora do News of the World de 2000 a 2003 e depois do The Sun, antes de ser promovida, em 2009, ao comando da News International. Ela teve que pedir demissão em julho, dias depois do fechamento do jornal pela onda de indignação provocada pelo escândalo das escutas.
A jornalista enfrenta acusações por conspirar para ocultar diversos materiais da polícia e tentar retirar caixas dos arquivos da News International em julho de 2011.
Apesar de nunca ter trabalhado para o News of the World, Charles Brooks, 49, foi acusado de obstruir a ação da Justiça por ''ocultar documentos, computadores e outros equipamentos eletrônicos''.
Os outros acusados são a ex-assistente pessoal de Brooks, Cheryl Carter, que trabalhou com Rebekah durante 19 anos, o ex-diretor de segurança da News International Mark Hanna, o motorista da empresa Paul Edwards e o segurança Daryl Jorsling. Um sétimo suspeito não será acusado.
Rebekah Brooks chegou pálida e abatida a uma delegacia do sul de Londres, onde ficou por duas horas. Há quatro dias ela compareceu à comissão que investiga a ética na imprensa para comentar a relação dela com o premiê David Cameron.
De acordo com os investigadores, Brooks trocava mensagens de texto com Cameron, com frases como ''lots of love'' (com muito amor). O porta-voz do premiê se recusou a comentar as acusações, considerando ''inapropriado'' comentar sobre uma investigação em curso.
Além da amizade com os Brooks, Cameron foi afetado por ter contratado Andy Coulson, ex-editor do News of the World, como seu chefe de comunicação por quatro anos após uma primeira investigação sobre grampos.


