Cairo - Poucas horas após uma corte egípcia ter ordenado que Hosni Mubarak seja posto em liberdade, o vice-comandante militar do país emitiu ordem para que o ex-ditador seja colocado em prisão domiciliar. Não estava claro até ontem se ele iria para uma de suas casas ou para um hospital.
Mubarak, de 85 anos, que pode sair da prisão hoje, enfrenta acusações de corrupção e cumplicidade na morte de 800 manifestantes durante atos contra seu regime, em 2011.
A decisão de soltar o ex-ditador foi tomada após uma corte entender que ele pode responder em liberdade à acusação de receber presentes estimados em R$ 11 milhões do jornal estatal Al-Ahram. Mubarak já devolveu a quantia ao periódico. E já foi excedido o período máximo de prisão preventiva para a acusação de repressão aos protestos democráticos.
Mubarak chegou a ser condenado a prisão perpétua no ano passado, mas a pena foi anulada e novo julgamento ocorrerá.
A defesa do ex-ditador, mantido na ala hospitalar da prisão de Tora, afirma que ele tem a saúde frágil.
Não se sabe como o país árabe reagiria a uma eventual soltura dele, que governou o Egito entre 1981 e 2011.
A nação vive tensão desde que o governo islamita de Mohamed Morsi foi deposto em 3 de julho.
Hoje, a Presidência está com Adly Mansour, ex-presidente da Suprema Corte, sob a influência de Abdel Fatah al-Sisi, chefe militar do Egito. É esperado que haja eleições nos próximos meses.

União Europeia
Os chanceleres da UE decidiram que suspenderão a venda de equipamentos de segurança e de armas que possam ser usados pelo Egito na repressão.
O anúncio vem uma semana após o Exército desmontar o acampamento de Rabia al-Adawiya, em 14 de agosto, data em que ao menos 638 pessoas morreram no país. "Condenamos os atos de violência e acreditamos que as recentes ações militares foram desproporcionais", disse Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia.

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