Ex-ditador é um ‘‘poder negativo’’, segundo instituto Agência Folha De Santiago Pinochet não possui força para mudar as regras da democracia chilena, mas continua com um ‘‘poder de veto não declarado’’ na política do país, segundo a economista Marta Lagos. Ela duvida que o ex-ditador venha a ameaçar as instituições, mas poderá atrasar o desenvolvimento político, influenciando parte da população. ‘‘Pinochet não tem o poder de mudar, mas o poder de não deixar que coisas aconteçam. Digamos que é um poder negativo.’’ O ex-ditador continuará a ser, na opinião da pesquisadora, um importante ator político até morrer: ‘‘Veja o que ele fez hoje (anteontem). Todo mundo o achava um velho doente, acabado. E ele sai do avião com bochechas rosadas, caminhando e acenando como se nada tivesse acontecido’’. E de onde vem essa influência? ‘‘Diferentemente do que dizem os partidários de Augusto Pinochet, o Chile não está dividido meio a meio em relação ao ex-ditador. Um terço está de um lado; e outros dois terços, de outro’’, responde Marta. Segundo a pesquisadora, mais do que apoiar Pinochet, um terço da população apóia ‘‘um sistema não democrático’’. É nessa fatia que a direita, os militares e Pinochet atuam. Marta afirma que esses dados constam de pesquisas realizadas nos últimos dez anos. ‘‘É essa divisão que faz esse país ser o que é, pois, ao mesmo tempo, os outros dois terços são fortemente contrários a valores antidemocráticos.’’ Os extremos da pirâmide econômica e social do país compõem o um terço autoritário. Estão nesse grupo os ricos, que financiam a direita, e os extremamente pobres, por ignorância’’, afirma Marta. A classe média e os mais escolarizados preponderam nos outros dois terços.

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