Ex-ditador argentino será processado
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terça-feira, 10 de julho de 2001
Associated Press De Buenos Aires 
Jorge Rafael Videla tornou-se ontem o primeiro ex-ditador a ser processado pela chamada Operação Condor, montada nos anos 70 pelos regimes militares sul-americanos e que objetivava reprimir seus adversários políticos fora de suas fronteiras. Outros envolvidos mas ainda não processados pela Justiça argentina são os ex-ditadores Alfredo Stroessner, do Paraguai, e Augusto Pinochet, do Chile.
O juiz federal Rodolfo Canicoba Corral ordenou a abertura do processo contra o ex-general Videla, de 75 anos, por considerar que ele fez parte de uma associação ilícita agravada que assassinou cidadãos estrangeiros através da mencionada operação. Canicoba Corral dispôs também um embargo de US$ 1 milhão sobre o patrimônio de Videla, que já cumpre prisão domiciliar em outro processo aberto contra ele por sequestro e mudança de identidade de crianças nascidas durante o cativeiro de suas mães, posteriormente assassinadas durante a ditadura militar entre 1976 e 1983.
A ordem do juiz, em um documento de cerca de 500 páginas, dispõe ainda que Videla compareça perante o tribunal em 17 de agosto para ser interrogado, depois de ter-se negado a prestar declarações ao ser citado sobre o caso em 20 de junho. Seus advogados alegaram então que o processo era nulo por terem sido prescritos os atos atribuídos ao ex-presidente.
O documento exige que Videla se submeta ao interrogatório sobre casos particulares de desaparecimento forçado de cidadãos de nacionalidade argentina chilena, uruguaia, boliviana e brasileira, no marco das operações da organização criminosa denominada Operação Condor, diz o juiz em um parágrafo de sua sentença.
Através da Operação Condor, cuja inspiração se atribui ao regime militar chileno instaurado em 1973, foi estabelecido um sistema de colaboração operacional e intercâmbio de informações entre as ditaduras da Argentina, Chile, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai, segundo informações de organismos defensores dos direitos humanos.
Em virtude dessa colaboração, cidadãos desses países que eram então adversários dos regimes militares foram assassinados, sequestrados, detidos ou torturados quando se encontravam exilados ou refugiados em nações vizinhas. Frequentemente eles eram executados ao serem devolvidos a seus países sem que houvesse sido instaurado qualquer processo legal de extradição.


