Comey reconheceu, no entanto, que Trump nunca lhe pediu para encerrar qualquer investigação sobre Moscou
Comey reconheceu, no entanto, que Trump nunca lhe pediu para encerrar qualquer investigação sobre Moscou | Foto: Mark Wilson/Getty Images/AFP



Washington - O ex-diretor do FBI James Comey acusou o governo de Donald Trump, nesta quinta-feira (8), de espalhar mentiras e de praticar difamação em um depoimento dado no Senado americano, o qual pode ter consequências explosivas para a Casa Branca.
Em uma audiência de quase três horas na Comissão de Inteligência da Casa, Comey reafirmou que Trump lhe pediu para deixar em paz seu então conselheiro de Segurança Nacional, o general Michael Flynn. O assessor de Trump estava na mira de uma investigação do FBI sobre a ingerência da Rússia na eleição presidencial de 2016.
Comey reconheceu que Trump nunca lhe pediu para encerrar qualquer investigação sobre Moscou. Declarou, porém, que, quando o presidente lhe pediu para deixar Flynn tranquilo, interpretou isso como uma "ordem".
Sobre a investigação que conduzia naquele momento, Comey disse não ter dúvidas de que a Rússia exerceu ingerência nas eleições, mediante a invasão dos sistemas de computadores do Comitê Nacional do Partido Democrata. Ele admitiu, porém, que as informações que possuía não lhe permitiam afirmar que o resultado da eleição tenha sido manipulado.
Nesse contexto de forte pressão sobre a Presidência, Trump tentou se mostrar otimista. "Vamos brigar e ganhar", garantiu Trump em uma reunião com governadores e prefeitos, enquanto Comey testemunhava no Senado.
Em declarações nesta quinta (8), Marc Kasowitz, advogado de Trump, rejeitou as partes comprometedoras do depoimento. Chegou, inclusive, a sinalizar com a possibilidade de processar o ex-diretor do FBI, depois que este admitiu ter vazado para a imprensa informações confidenciais sobre uma conversa com o presidente.
No Senado, Comey também reafirmou sua versão sobre as pressões feitas por Trump, mas disse que não lhe cabe definir se este fato constitui uma tentativa de obstrução à Justiça. "Não acho que deva dizer se as conversas que tive com o presidente foram obstrução à Justiça. Foi uma coisa muito perturbadora, desconcertante", afirmou diante da Comissão de Inteligência do Senado.

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