Aos 83 anos de idade, o militar aposentado em Londrina, Joaquim Ferreira, lembra com tristeza os 11 meses que passou na Itália, no final da Segunda Guerra Mundial. ''Eu fico nervoso, não gosto de pensar muito naquele tempo'', conta ele, que hoje mora com as três filhas no Jardim Higienópolis, no Centro de Londrina.
Mesmo sem nunca ter atirado em uma pessoa, o ex-militar sentiu na pele as dores da guerra. ''Eu me lembro bem das crianças italianas que vinham em busca de comida no nosso quartel em Pistóia. Era triste, pois eram de um país inimigo e não podíamos alimentá-las.'' A destruição das cidades também impressionou muito o jovem, que na época tinha pouco mais de 30 anos.
Outra cena que custa a sair da memória do ex-combatente era o desespero de alguns soldados. ''Nos hospitais não falávamos muito com eles. Mas vi muita gente cortar os próprios dedos para ter que voltar ao Brasil'', relata. A mutilação impossibilitava os homens de irem para a frente de batalha, pois não tinham como atirar.
Ferreira não precisou de tanto, ele pertencia ao pelotão de comboio que só ia para as trincheiras levar comida e suprimentos aos soldados. ''Mesmo de longe nós ouvíamos os bombardeios, mas não podíamos ter medo'', relata. O militar lembra com clareza um dos maiores inimigos que teve que enfrentar, o frio de dezembro. ''Quase congelamos.''
O único momento que Ferreira sentiu que poderia estar em perigo, foi em sua última missão. ''Eu fiquei de guarda sozinho em um escritório em Bolonha. Toda vez que ouvia o vento imaginava que poderia ser bombardeado'', recorda. Felizmente, naquela noite que o militar passou em claro, a guerra chegara ao fim. ''Guerra não é bom não.''

mockup