Ex-colonos ‘invadem’ a Europa
As sucessivas guerras de independência, principalmente na África, fazem dos anos 60 e 70 o terceiro capítulo das grandes migrações no século. ‘‘Foram uns 20 países africanos que se libertaram’’, observa a geógrafa Rosa Ester Rossini, e os perdedores nestas guerras tinham de ir embora. Eram os colonizadores que retornavam com seus descendentes, parentes e simpatizantes, forçados a se refugiar na ex-metrópole.
Não há números exclusivos deste período, mas pelo menos 13 milhões de migrantes se estabeleceram legalmente na Europa Ocidental dos anos 60 aos 80, a maioria nas duas primeiras décadas. ‘‘Só da Argélia para a França foram 1,5 milhão’’, informa o geógrafo Milton Santos. Isso, sem contar os milhares de ilegais.
Houve consideráveis correntes também do Marrocos para a França, assim como da Líbia para a Itália. E ainda das ex-colônias mais distantes, como a Indochina libertada dos franceses, a Indonésia dos holandeses, e o Caribe, dos ingleses.
Muçulmanos As três últimas décadas do século são coalhadas de conflitos que produzem transposições de grandes grupos populacionais. Mas a maioria delas não cria correntes migratórias definidas, e sim dispersões. Só a fundação de Bangladesh, em 1971, e a guerra no Afeganistão, que começa em 1979, provocam deslocamentos quase uniformes.
Quando a etnia bengali transformou a província do Paquistão do Leste em Bangladesh, 8 milhões de muçulmanos de outras etnias foram empurrados para fora do novo país. Tiveram de se dirigir para o território restante do Paquistão e mesmo para a Índia. E milhares de bengalis cruzaram a nova fronteira para viver em Bangladesh.
Em 79, a invasão soviética do Afeganistão desencadeou a fuga de 6 milhões de afegãos. Ao longo dos anos 80, pelo menos 3,5 milhões tiveram de se aglomerar em acampamentos do lado de lá da fronteira paquistanesa, enquanto os outros rumaram para o Irã. Em 1998, o Acnur contava 2,633 milhões de afegãos ainda sem pátria.

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