Ex-clérigo é condenado pela Justiça sul-africana
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Reuters 
A Suprema Corte da Cidade do Cabo, na África do Sul, declarou, ontem, o ex-clérigo antiapartheid Allan Boesak culpado de fraude e roubo de doações internacionais que eram destinadas a ajudar vítimas do regime de segregação racial. De acordo com o juiz John Foxcroft, Boesak recebeu uma verba equivalente a 682 mil rands (US$ 109 mil), levantada pelo cantor americano Paul Simon durante a etapa sul-africana de sua turnê Graceland, em 1992, mas repassou apenas 423 mil rands para um fundo especial criado para ajudar criança vítimas do apartheid.
O juiz afirmou que Boesak embolsou a diferença. O acusado apropriou-se errônea e ilegalmente do dinheiro destinado às crianças da África do Sul, declarou o juiz. No total, Boesak foi acusado de se apropriar de um milhão e trezentos mil rands (US$ 208 mil) em doações. Boesak foi absolvido em outras duas acusações de roubo referentes a doações da Coca-Cola e de instituições de caridade escandinavas. O julgamento de outras das 27 acusações contra o ativista prosseguirá.
A corte deu um prazo até terça-feira para que os advogados de defesa preparem seus argumentos à espera da sentença.
O ex-clérigo, que já chefiou a seção da província de Cabo Ocidental do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido do presidente Nelson Mandela, negou todas as acusações, mas absteve-se de prestar depoimento.
Boesak mantém relações próximas com Mandela. Quando ficou sem dinheiro para pagar sua equipe de advogados, no ano passado, por exemplo, o presidente prometeu-lhe ajuda financeira de seu próprio bolso.
Mas as acusações já custaram ao acusado seu cargo de embaixador sul-africano das Nações Unidas em Genebra.
Em 1990, entretanto, ele teve que abrir mão do cargo, quando o romance com Elna Botha, então uma conhecida personalidade da televisão sul-africana, veio à tona. Ele abandonou o clero e casou-se com ela.


