O ex-secretário da Defesa Dick Cheney deverá ser o companheiro de chapa do candidato do Partido Republicano à Casa Banca, o governador do Texas, George W. Bush. Cheney, um experiente e respeitado ex-deputado, ocupou várias posições-chave em duas administrações republicanas em períodos difíceis. Em 1975 e 1976, ele foi o chefe de gabinete do presidente Gerald Ford e ajudou a administrar o imediato pós-Watergate e a derrota dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.
Em 1989, trocou sua carreira de influente deputado federal pelo Estado de Wyoming, já destinado à liderança da bancada, pelo posto de secretário da Defesa, depois que a maioria democrata que então controlava o Senado rejeitou o nome do senador John Tower, do Texas, a primeira escolha do presidente George Bush, pai do atual candidato republicano. Como chefe do Pentágono, coube a Cheney o comando político da Guerra do Golfo.
Sua lealdade aos Bush e a confiança destes no ex-deputado de Wyoming são inquestionáveis. Três semanas atrás, quando começou a busca de seu vice-presidente, Bush pediu a Cheney para conduzir o processo de seleção dos candidatos.
Há poucas dúvidas, também, quanto às qualificações de Cheney para estar ‘‘a apenas uma batida de coração de distância’’ da presidência, que é como os políticos e os âncoras da televisão descrevem a vice-presidência.
Além de ter ocupado alguns dos postos mais sensíveis da administração, ele é um homem genuinamente respeitado por suas qualidades de articulador político.
Embora tenha ficado geralmente com a posição mais conservadora nos votos que deu durante seus dez anos no Capitólio, Cheney é um homem de temperamento afável, que jamais hostilizou ou foi hostilizado por seus adversários democratas e não parece ter inimigos.
Sua presença dá peso e densidade política à chapa republicana e foi aparentemente calculada para suprir a maior deficiência de Bush: a falta de experiência em política externa.
No outro prato da balança, a escolha de Bush tem dois aspectos potencialmente negativos. O primeiro é seu coração. Vítima de três enfartes suaves antes de completar 50 anos, Cheney vive desde 1988 com quatro pontes de safena. O vice-presidente Albert Gore, que tentará manter a Casa Branca nas mãos do Partido Democrata, nas eleições de novembro, certamente usará contra Bush os vínculos de Cheney com a grande indústria do petróleo.
O ex-secretário da Defesa é presidente e principal executivo da Halliburton Co., do Texas, a líder mundial de prestação de serviços em campos de petróleo. Político identificado com os ambientalistas, Gore denuncia desde a semana passada a poluição atmosférica no Texas. Sob Bush, o Texas superou a Califórnia como o Estado com o ar mais poluído nos EUA.
Com a apatia do eleitorado em seu nível mais elevado em anos, Bush e Gore usarão a escolha de seus vices para tentar despertar interesse para as convenções partidárias que referendarão suas candidaturas – na semana que vem, na Filadélfia, no caso dos republicanos, em meados de agosto, em Los Angeles, no dos democratas.

mockup