Ex-chefe do Pentágono será vice de Bush
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 24 de julho de 2000
Paulo Sotero Agência Estado De Washington 
O ex-secretário da Defesa Dick Cheney deverá ser o companheiro de chapa do candidato do Partido Republicano à Casa Banca, o governador do Texas, George W. Bush. Cheney, um experiente e respeitado ex-deputado, ocupou várias posições-chave em duas administrações republicanas em períodos difíceis. Em 1975 e 1976, ele foi o chefe de gabinete do presidente Gerald Ford e ajudou a administrar o imediato pós-Watergate e a derrota dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.
Em 1989, trocou sua carreira de influente deputado federal pelo Estado de Wyoming, já destinado à liderança da bancada, pelo posto de secretário da Defesa, depois que a maioria democrata que então controlava o Senado rejeitou o nome do senador John Tower, do Texas, a primeira escolha do presidente George Bush, pai do atual candidato republicano. Como chefe do Pentágono, coube a Cheney o comando político da Guerra do Golfo.
Sua lealdade aos Bush e a confiança destes no ex-deputado de Wyoming são inquestionáveis. Três semanas atrás, quando começou a busca de seu vice-presidente, Bush pediu a Cheney para conduzir o processo de seleção dos candidatos.
Há poucas dúvidas, também, quanto às qualificações de Cheney para estar a apenas uma batida de coração de distância da presidência, que é como os políticos e os âncoras da televisão descrevem a vice-presidência.
Além de ter ocupado alguns dos postos mais sensíveis da administração, ele é um homem genuinamente respeitado por suas qualidades de articulador político.
Embora tenha ficado geralmente com a posição mais conservadora nos votos que deu durante seus dez anos no Capitólio, Cheney é um homem de temperamento afável, que jamais hostilizou ou foi hostilizado por seus adversários democratas e não parece ter inimigos.
Sua presença dá peso e densidade política à chapa republicana e foi aparentemente calculada para suprir a maior deficiência de Bush: a falta de experiência em política externa.
No outro prato da balança, a escolha de Bush tem dois aspectos potencialmente negativos. O primeiro é seu coração. Vítima de três enfartes suaves antes de completar 50 anos, Cheney vive desde 1988 com quatro pontes de safena. O vice-presidente Albert Gore, que tentará manter a Casa Branca nas mãos do Partido Democrata, nas eleições de novembro, certamente usará contra Bush os vínculos de Cheney com a grande indústria do petróleo.
O ex-secretário da Defesa é presidente e principal executivo da Halliburton Co., do Texas, a líder mundial de prestação de serviços em campos de petróleo. Político identificado com os ambientalistas, Gore denuncia desde a semana passada a poluição atmosférica no Texas. Sob Bush, o Texas superou a Califórnia como o Estado com o ar mais poluído nos EUA.
Com a apatia do eleitorado em seu nível mais elevado em anos, Bush e Gore usarão a escolha de seus vices para tentar despertar interesse para as convenções partidárias que referendarão suas candidaturas na semana que vem, na Filadélfia, no caso dos republicanos, em meados de agosto, em Los Angeles, no dos democratas.


