Ex-chefe do exército turco é condenado à prisão perpétua
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segunda-feira, 05 de agosto de 2013
Folhapress 
São Paulo - Um tribunal turco condenou ontem à prisão perpétua um ex-chefe do Exército e pelo menos outras 12 pessoas em um megajulgamento contra 275 acusados de conspirar contra o governo islamista-conservador de Recep Tayyip Erdogan.
O ex-chefe do Estado-Maior do exército turco entre 2008 e 2010, general Ilker Basbug, de 70 anos, foi condenado à prisão perpétua por tentativa de golpe de Estado.
A mesma pena por "tentativa de derrubar a ordem constitucional pela força", segundo o tribunal, recaiu sobre o ex-chefe da polícia, Sener Eruygur, e o ex-comandante do primeiro regimento Hursit Tolon, assim como sobre o jornalista Tuncay Özcan e o chefe do pequeno Partido dos Trabalhadores (PT, nacionalista), Dogu Perinçek.
O conhecido jornalista Mustafá Balbay, do jornal de esquerda Cunhuriyet, eleito durante sua prisão deputado pelo principal partido opositor (CHP, pró-laico), foi condenado a 35 anos de prisão.
A sentença foi de 12 anos para o ex-reitor Mehmet Haberal, que também foi eleito deputado depois de ser preso.
Sessenta e seis acusados esperam o veredicto presos.
O tribunal também absolveu 21 dos 275 dos réus desse megaprocesso, que foi denunciado pela oposição laica como uma caça às bruxas com o objetivo de calar as críticas contra o atual governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP).
Cerca de 10 mil manifestantes antigovernamentais se reuniram diante do tribunal de Silivri, onde foram registrados confrontos com a polícia, que lançou gases lacrimogêneos para dispersá-los.
Exibindo bandeiras nacionais e retratos de Mustafá Kemal Ataturk, o pai da república laica, os manifestantes pediam o fim do fascismo e a renúncia do governo.
O início do caso remonta a junho de 2007, depois de uma operação antiterrorista em um bairro humilde de Istambul, onde foram achados armas e explosivos.
O processo ficou conhecido como "caso Ergenekon", nome da suposta acusada de ter propiciado um golpe de Estado contra Erdogan, no poder desde 2002, semeando o caos com atentados e operações de propaganda.
As Forças Armadas, que durante décadas se apresentaram como guardiãs dos valores laicos da República, derrubaram três governos democraticamente eleitos desde 1960 e obrigaram a um governo pró-islamita a se demitir em 1997.
Depois da explosão do "caso Ergenekon", foram realizados outros julgamentos contra grupos como Kafes (a jaula), que preparava, segundo a acusação, atentados contra membros das minorias cristãs, ou o Balyoz, que fez sentar no banco dos réus quase 300 militares.
Em um relatório divulgado em 23 de julho pelo Partido Republicano do Povo, de oposição ao governo, a Turquia figurava como o país com mais jornalistas presos no mundo, com 65 repórteres detidos acusados de colaborar com organizações terroristas.
O documento diz ainda que as provas incriminatórias são simplesmente atividades cotidianas dos profissionais, como suas ligações para fontes ou para outros companheiros.


