Ex-capitão culpa crise econômica
O acidente com o submarino nuclear Kursk é o resultado das dificuldades econômicas da Rússia e suas repercussões sobre o estado atual da frota naval. Essa é a opinião do ecologista e ex-capitão da Marinha russa, Alexandre Nikitine, acusado de alta traição pela antiga KGB. Nikitine foi preso em São Petersburgo em 1996, pela autoria e publicação de relatório bombástico sobre a base naval de Mourmanski que revelou o calamitoso estado da frota. Só em abril, Nikitine, foi absolvido pela Justiça russa.
Em entrevista ao jornal Le Monde, ele confirma que as dificuldades financeiras do país repercutem diretamente sobre o estado da frota. O fato de os navios começarem a afundar constitui um sinal alarmante, mas outros fatores somam-se às dificuldades econômicas: o deficiente grau de preparação e treinamento da tripulação; a moral em baixa dos marinheiros e oficiais; equipamentos de bordo em péssimas condições, falta de manutenção das unidades navais, etc..
A seu ver, todos os problemas descritos no relatório de 1996 permanecem. O único fator positivo é que atualmente se busca uma solução para essas questões.
Nas imediações de Mourmanski, segundo Nikitine, existe um cemitério com mais de cem submarinos que deixaram de ser operacionais por falta de peças de reposição e de equipamentos de bordo e má manutenção.
Nesse mesmo local, existem áreas onde se acumulam combustíveis e lixo radioativo. No entanto, o governo russo não dispõe de recursos suficientes para atacar todos os problemas.





