São Paulo - Com um discurso bastante afinado com o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou ontem que um possível reajuste do gás não deve afetar muito o Brasil e a Argentina.''Temos que discutir sobre o aumento do preço do gás que exportamos. Deve ser uma negociação racional que beneficie a Bolívia sem que afete muito o Brasil. O mesmo ocorre com a Argentina'', afirmou ele em entrevista ao jornal francês ''Le Figaro''.
A Petrobras e o presidente Lula defendem que não haja nenhum aumento de preços do gás. Se houver, acreditam que outras cláusulas do contrato com a Bolívia poderiam ser negociadas de forma a compensar o Brasil. Além disso, na segunda-feira o presidente defendeu que o Brasil conquiste a auto-suficiência em gás e disse que só continuará a importar o combustível boliviano se o preço for ''conveniente''.
Nesta semana representantes do Brasil e da Bolívia devem manter novas reuniões para discutir os preços do gás, a transferência do controle das empresas da Petrobras para o país vizinho e a indicação de novos diretores para essas companhias.
Na entrevista ao jornal francês, Morales disse que a nacionalização das reservas de petróleo e gás, anunciada em 1º de maio, vai melhorar a situação social dos bolivianos.
Ele voltou a afirmar que não vai expulsar nenhuma empresa e que não quer que a Petrobras e a espanhola Repsol, entre outras companhias, deixem o país.

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