Evento religioso no Paquistão levanta medo de propagação do coronavírus na região


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois casos de contágio do novo coronavírus foram registrados na Faixa de Gaza no domingo (22), onde a propagação da epidemia pode levar a uma catástrofe, segundo a ONU.

Dois palestinos, de 30 e 40 anos, que recentemente voltaram do Paquistão, estavam infectados.

Segundo reportagem da rádio americana NPR, os homens participaram do congresso do grupo missionário conservador Tablighi Jamaat, fundado há quase um século na Índia e com milhões de seguidores em todo o mundo.



O evento religioso, que terminou no dia 12 de março, reuniu dezenas de milhares de pregadores muçulmanos de cerca de 80 países e levantou preocupações sobre a propagação do vírus no Paquistão e em outras regiões.

Quatro pessoas da província de Sindh, no sul do país, que participaram do encontro foram infectadas com o vírus, segundo autoridades locais.

Outras províncias paquistanesas não fornecem dados detalhados dos diagnósticos de Covid-19, portanto o número de infectados no Paquistão com alguma ligação ao evento pode ser maior.

Os homens foram isolados em um centro de quarentena localizado próximo à fronteira com o Egito --o quadro de ambos é estável, segundo autoridade de saúde local.

A detecção desses primeiros casos na Faixa de Gaza é uma questão preocupante, devido, segundo diversos especialistas, à forte densidade populacional, pobreza e infraestruturas sanitárias precárias da região.

Segundo uma fonte palestina de segurança, uma delegação da Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou no domingo ao enclave entre Israel, Egito e Mar Mediterrâneo, onde dois milhões de palestinos vivem.

A situação pode desencadear "um desastre de proporções gigantescas", alertou Matthias Schmale, responsável da Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), na Faixa de Gaza.

Se o vírus se propagar, "a situação será comparável à do cruzeiro na costa do Japão", enfatizou ele, referindo-se ao Diamond Princess, embarcação na qual o vírus se disseminou rapidamente, contaminando mais de 700 dos 3.700 passageiros.

Na Faixa de Gaza, onde há 84 casos confirmados, incluindo a Cisjordânia, aglomerações foram proibidas, as escolas, fechadas, e milhares de pessoas estão confinadas em suas casas, a maioria das quais depois de passarem pelo Egito --o país tem 456 casos confirmados e 21 mortos, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

No sul da enclave, próximo à fronteira com o Egito, o Hamas, que controla a região desde 2007, está construindo mil quartos de isolamento. Essas instalações se somam ao centro de quarentena onde os dois infectados estão recebendo tratamento.

A Faixa de Gaza conta com apenas 60 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e sofre de falta de equipe qualificada, afirma Gerald Rockenschaub, que dirige o escritório da OMS nos Territórios Palestinos.

Já Israel afirma que faz todo o possível para garantir que os equipamentos médicos cheguem à Faixa de Gaza e diz ter providenciado o envio de 600 kits de diagnóstico e mil trajes de proteção.



Desde 2007, o país impõe um embargo ao enclave palestino, com a ajuda do Egito. Para Tel Aviv, a medida é necessária para conter o Hamas, grupo considerado terrorista por Israel e vários países ocidentais, incluindo os EUA.

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