Madri- A associação espanhola ''Direito de morrer dignamente'', à qual pertencia um tetraplégico cuja morte é alvo de investigação pela polícia que suspeita da realização de uma eutanásia, admitiu ontem que alguém o ajudou a morrer.
Jorge León, que só podia mover seus lábios desde que sofreu um acidente doméstico em 2000, foi encontrado morto na quinta-feira, em sua casa em Valladolid (centro).
O sistema respiratório que o mantinha em vida foi desconectado. ''A pessoa que ajudou Jorge tem todo meu apoio, toda minha ajuda e minha colaboração'', afirmou neste ontem a presidente da associação, Carmen Vázquez, que estava em contato permanente com León. Ela denunciou a hipocrisia política que existe em torno do assunto na Espanha.
O único parente de Jorge, Carlos León Escudero, disse que a morte de seu irmão ''pode ser útil no debate sobre a eutanásia'' e agradeceu à pessoa que o ajudou a morrer ''porque assumiu um risco para fazer que alguém deixasse de sofrer e tivesse uma morte decente''.
A coalizão comunista-verde Esquerda Unida (IU) anunciou ontem que apresentará uma proposta de lei ao Parlamento para regular ''o direito a uma morte digna''.
Jorge León, de 53 anos, manifestou-se publicamente em várias ocasiões seu desejo de morrer.
No ano passado, um juiz arquivou o caso de uma pessoa real, heroína do filme ''Mar Adentro'' Oscar de melhor filme estrangeiro em 2005 que havia reconhecido ter ajudado no suicídio do marinheiro espanhol tetraplégico Ramón Sampedro, considerando que o caso havia prescrito.
A justiça voltou a investigar as circunstâncias da morte de Sampedro, depois da confissão ante a televisão nacional de uma de suas amigas, Ramona Maneiro, admitindo ter injetado nele cianureto a pedido do amigo.
Esta morte desatou um debate sem precedentes sobre a eutanásia no país.

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