Europeus querem leis rígidas contra o terror
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quarta-feira, 28 de abril de 2004
France Presse 
Paris - França, Alemanha e Inglaterra são os primeiros países da União Européia (UE) a querer endurecer suas leis antiterroristas para expulsar de suas fronteiras de forma preventiva os extremistas islâmicos considerados perigosos.
Depois dos atentados de Madri de 11 de março passado, os serviços de inteligência de vários países tentaram localizar militantes ou clérigos radicais para neutralizar sua margem de ação.
Na França, o ministro do Interior Dominique de Villepin se referiu nesta semana a uma possível modificação da lei depois que foi declarada anulada a expulsão do imã argelino Abdelkader Buziane.
Este clérigo, expulso para Argel no dia 21 de abril por proclamar que o Alcorão permite agredir a mulher adúltera e por manter relação com grupos extremistas, não foi expulso do país conforme a lei e tem direito a voltar.
Ontem o governo afirmou que se Buziane voltar deverá ''responder por seus atos''. A promotoria de Lyon (leste), onde pregava o imã, abriu um inquérito judicial contra ele nesta quarta-feira por ''apologia ao crime'' e ''provocação direta, embora sem efeitos, contra a integridade física de uma pessoa''.
''A ameaça terrorista na Europa depois dos atentados de 11 de março em Madri exige encontrar um novo equilíbrio entre o respeito ao direito e os imperativos de segurança'', explicou De Villepin.
Terça-feira, o premier britânico Tony Blair anunciou uma revisão completa do sistema de imigração, sobretudo para impedir que ''imãs radicais cheguem à Inglaterra para pregar a favor do ódio religioso ou que certas pessoas apóiem atos terroristas''. Foi a primeira vez que Blair denunciou com vigor as organizações muçulmanas extremistas instaladas em seu país. Após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, a Grã-Bretanha adotou uma lei antiterrorista que se converteu na mais rigorosa da UE.
Graças a ela, permite-se a detenção ilimitada sem acusação formal nem julgamento de estrangeiros que representavam uma ameaça para a segurança nacional.
Em abril de 2003, o ministério do interior foi ainda mais longe e anunciou que se poderia privar da nacionalidade britânica imigrantes que que ''provoquem graves prejuízos'' aos interesses britânicos. Como exemplo, retirou a nacionalidade a um imã radical, Abu Hamza al Masri, suspeito de manter contatos com a rede terrorista Al Qaeda e iniciou um processo de extradição contra ele.
A Alemanha também reforçou sua legislação antiterrorista após os ataques de 11 de setembro e endureceu as penas de prisão para quem der apoio a qualquer ato terrorista depois de ampliar a definição de ''organização terrorista''.


