Os chefes de Estado e de governo da União Européia (UE) concluíram ontem os trabalhos de dois dias de cúpula na cidade de Gotemburgo (Sul da Suécia), onde aconteceram graves confrontos entre policiais e manifestantes. A UE confirmou seu compromisso de ratificar rapidamente o Protocolo de Kyoto e a Comissão Européia vai preparar uma proposta de ratificação antes do final de 2001, segundo o projeto sueco de conclusões da Cúpula de Gotemburgo divulgado à imprensa ontem.
A União Européia ‘‘vai se esforçar para garantir a maior participação possível dos países industrializados para permitir a entrada em vigor do protocolo antes de 2002’’, acrescenta o texto. Foi reiterado o compromisso de cumprir os objetivos de Kyoto sobre a limitação das emissões de gás com efeito estufa, ressaltando que o protocolo não é mais que um primeiro passo.
As autoridades que participaram da cúpula também se comprometeram a terminar as negociações com os primeiros candidatos a aderir à UE antes do fim de 2002, para que eles possam entrar no grupo em 2004.
Um grupo de trabalho reunindo a França, Suécia e Bélgica, países da atual e próximas presidências da UE, devem criar um grupo para estudar métodos de combate à violência nas cúpulas. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro sueco, Goeran Persson, depois dos sérios distúrbios que aconteceram na sexta-feira e no dia anterior em Gotemburgo.
Os chefes de Estado e de Governo dos Quinze concordaram ainda, durante jantar, com um projeto de declaração que destaca sua vontade de lutar contra a proliferação de mísseis balísticos. Na sexta-feira, China, Rússia e quatro países da Ásia Central assinaram um comunicado conjunto, onde declaram apoiar o tratado que trata dos mísseis antibalísticos (ABM), assinado em 1972. A declaração comum diz que o tratado ABM, firmado há quase vinte anos, pelos Estados Unidos e a União Soviética, representa ‘‘a base da estabilidade e da segurança mundiais’’.
O presidente George W. Bush, que reuniu-se ontem com seu colega russo Vladimir Putin, qualificou esta semana o tratado ABM de ‘‘vestígio do passado’’. O projeto de escudo antimísseis, defendido pelo presidente norte-americano, ao qual se opõem Moscou e Pequim, tornaria obsoleto o tratado ABM, acordo da época da Guerra Fria que proíbe não só todo projeto de escudo antimísseis, mas também a fase de desenvolvimento e testes de tal sistema.
Outra decisão da cúpula da União Européia foi nomear, no dia 25 de junho, um enviado especial permanente para a Macedônia. A informação foi fornecida por uma fonte próxima às delegações participantes da cúpula européia.

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