Europeus admitem intervir na Albânia
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sexta-feira, 14 de março de 1997
France Presse, de Copenhague 
Eric Cabanis/France PresseFugindo do infernoSoldados franceses ajudam civis a escapar por Durres, mas a retirada foi temporariamente suspensa ontemO presidente da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (Osce), chanceler dinamarquês Niels Helveg Petersen, disse ontem em Copenhague que é provável uma intervenção militar na Albânia. O titular da Osce formulou a declaração no final de uma conversação telefônica que manteve com o ex-chanceler austríaco Franz Vranitzky, responsável pela delegação dessa organização que cumpre uma missão em Tirana.
Vranitzky também manifestou-se ontem favorável à iniciativa, dizendo que não via alternativa à intervenção militar ocidental para acabar com o caos e a anarquia que vêm tomando toda a Albânia. Eu vou relatar que não vejo alternativa, afirmou Vraniztzky depois de conversações em separado com líderes do governo e representantes dos rebeldes de cidades do sul a bordo da fragata italiana Aliseo, ancorada no Adriático.
A decisão tem de ser tomada muito rapidamente, disse Vraznitzky ele numa entrevista coletiva no porto italiano de Brindisi. Vamos agora analisar o terreno para saber que tipo de força é necessária, militar ou policial, afirmou o ex-chanceler.
A declaração de Vranitzky teve boa aceitação em várias capitais européias. A Grécia manifestou-se disposta a integrar uma força multinacional. Os europeus devem assumir suas responsabilidades e estudar seriamente a questão, disse o presidente Jacques Chirac, em Montevidéu, onde se encontrava ontem em visita oficial ao Uruguai, de onde seguiu à Bolívia.
A Itália também não afastava a possibilidade, mas fazia uma ressalva. Tudo vai depender de se encontrar um interlocutor capaz de representar todos os albaneses, destacou Piero Fassino, secretário de Estado italiano. Os EUA foram acusados por políticos albaneses e diplomatas ocidentais de abandonar Berisha à própria sorte.
Mas em Haia, o primeiro-ministro holandês, Wim Kok, afirmou que qualquer intervenção terá de ter o respaldo das Nações Unidas. Não haverá decisão sobre uma presença internacional sem um claro mandato e o Conselho de Segurança ainda não emitiu um mandato para uma ação internacional, disse Kok, cujo país está na presidência rotativa da União Européia.
FarsaO presidente Berisha reapareceu em público para desfazer rumores de que havia renunciado e fugido. É tudo uma farsa, não pretendo renunciar nem deixar a Albânia em nenhuma hipótese, garantiu. Mas admitiu que o Estado perdeu o controle da situação e dirigiu dramático apelo aos militares e policiais para que reassumam suas funções, prometendo-lhes aumento de 300% nos soldos. O problema é difícil, mas pode ser resolvido.
A atual situação é grave, mas não sem solução. Sou otimista, declarou. Confio na política de reconciliação nacional que atualmente realizamos, disse. Na quarta-feira passada, ele formou um governo que inclui os representantes de todos os partidos políticos dirigidos pelo primeiro-ministro socialista (ex-comunista e da oposição), Bashkim Fino.
Após o pronunciamento de Berisha, surgiram alguns grupos de agentes (provavelmente agentes da Shik, a temida polícia secreta) nas ruas desertas de Tirana em carros blindados e fazendo disparos para o ar numa clara atitude de intimidação. Ele também disse que o Parlamento estava considerando uma proposta para suspender a censura à imprensa imposta como parte de um estado de emergência que entrou em vigor duas semanas atrás.
O primeiro-ministro Fino reiterou pedido feito por ele anteontem, apoiado por Berisha e por todos os partidos políticos. (A força de paz) é a única fórmula capaz de evitar um banho de sangue e a desestabilização dos Balcãs, insistiu ele.
Segundo a mídia albanesa, mais de 100 pessoas já morreram na rebelião que explodiu no começo deste mês, provocada pelo colapso de esquemas financeiros de pirâmides que levou à falência centenas de milhares de albaneses.


