Uma missão conjunta da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e do Conselho da Europa chegou ontem a Tirana para tentar apaziguar o conflito entre o poder e o ex-presidente albanês, Sali Berisha, líder da oposição.
Na delegação composta por uma dezena de membros, encontram-se Bronislaw Geremek, presidente da OSCE, e Georges Papandreu, presidente do Comitê de ministros do Conselho da Europa. Geremek é ministro polonês de Relações Exteriores e Papandreu ministro grego de Relações Européias. ‘‘A finalidade desta visita é entregar uma mensagem ao governo e à oposição, apelando no sentido da restauração da estabilidade, a cooperação política e uma boa administração do país’’, informou a Organização, com sede em Viena.
A delegação se reunirá com o presidente albanês, Rexhep Meidani, e com o primeiro-ministro do governo da coalizão socialista, Fatos Nano. Também está prevista uma reunião com Sali Berisha na sede da OSCE em Tirana, informaram fontes do Partido Democrático (PD).
Papandreu apresentará um informe sobre esta visita durante a sessão de outono da Assembléia Parlamentar dos ‘‘40’’, que vai começar amanhã em Estrasburgo e que incluiu em sua ordem do dia um debate urgente sobre a Albânia, informaram fontes na sede do Conselho da Europa. O Parlamento albanês levantou sexta-feira a imunidade parlamentar de Berisha, acusado de ter incitado à destituição do governo depois do assassinato, no último dia 12, de Azem Hajdari, um dos fundadores do PD. O ex-presidente comandou uma nova manifestação ontem, no centro de Tirana, com a participação de milhares de adeptos.
Sexta-feira, antes da suspensão de sua imunidade, Berisha tinha feito um apelo aos simpatizantes no sentido de que se preparassem para o ‘‘sacrifício supremo’’ e derrubassem o governo de Nano. O futuro de Berisha está agora nas mãos do governo, que pode iniciar um processo contra ele e até prendê-lo sob a acusação de ter organizado os distúrbios de domingo e segunda-feira, quando morreram quatro pessoas e mais 80 foram feridas na capital.
A prisão de Berisha é contudo pouco provável, segundo opinaram ontem os analistas, considerando as fortes pressões internacionais que estão sendo feitas sobre os responsáveis pelo poder. Ademais, diante da tensão existente no país e da própria força de Berisha, não se acredita que o governo resolva prendê-lo, o que poderia criar uma situação de confronto.

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