Europa teme nova guerra nos Balcãs
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terça-feira, 11 de março de 1997
France Presse, de Paris 
Eric Cabanis/France PressPreço da revoltaEm Barat, a 100 km de Tirana, o menino Kana Chkelqim, de 16 anos, chega ao hospital ferido pela explosão de uma granada: rebeldes se aproximam da CapitalA atual presidência holandesa da União Européia (UE), materializando uma grave preocupação da comunidade internacional com a crise da Albânia, teme um novo conflito nos Balcãs. Pode haver uma nova guerra na região, disse ontem o ministro holandês de Relações Exteriores, Hans Van Mierlo, qualificando a situação albanesa de excepcionalmente confusa, especialmente no Sul do País. O chanceler holandês teme uma extensão da rebelião à província sérvia de Kosovo, habitada em 90% por albaneses que pedem a independência. Kosovo integra a República Federal da Iugoslávia, junto com Montenegro.
O governo de Bucareste acha que a situação na Albânia, país vizinho à Romênia, pode afetar a estabilidade e a segurança de toda a região. Grã-Bretanha, Alemanha e Holanda pediram a seus cidadãos para deixar o território albanês. A presidência em exercício da UE pediu ao presidente albanês Sali Berisha para proteger os estrangeiros que estão em seu País.
A UE também pediu às partes envolvidas no conflito que respeitem os direitos humanos, inclusive os direitos das minorias, insistindo para que o governo de Tirana não use o estado de emergência para desrespeitar os direitos humanos.
O presidente da União Européia Ocidental (UEO), Lluis María de Puig, disse ser indispensável a participação ativa da Europa na busca de uma solução para a crise albanesa. Ele acha que o presidente Sali Berisha não pode se limitar a um simples acordo com a oposição, mas deve, sim, mudar profundamente a atual situação com eleições livres, sinceras e autênticas, que permitam uma verdadeira consulta democrática ao País.
Sobre o eventual envio de uma força internacional, a Grécia já declarou sua oposição enquanto puder ser evitada, segundo o ministro grego de Relações Exteriores, Theodore Pangalos. O chefe da diplomacia italiana, Lamberto Dini, adiou sua visita de Estado à Índia, prevista para hoje e amanhã, para acompanhar de perto a evolução da crise.
ConcessãoO presidente Berisha, tentando acalmar os rebeldes, indicou ontem o novo primeiro-ministro, escolhendo um nome de dentro da oposição: Bashkim Fino, do Partido Socialista. A indicação foi vista como uma concessão à insurreição, apesar da manobra ter pouca ou nenhuma influência na orientação dos grupos sediciosos no Sul.
Fino, um economista da cidade sulista de Gjirokaster, agora em poder dos rebeldes, substitui Aleksander Meksi, do governista Partido Democrático, que renunciou na semana passada. Sua indicação foi anunciada pela televisão estatal enquanto Berisha negociava com líderes de partidos políticos sobre a formação de um novo governo de união nacional que administrará o País até as novas eleições de junho.
O Ministério do Exterior italiano divulgou que Berisha havia telefonado para o chanceler Lamberto Dini a fim de informá-lo que tinha escolhido um novo premier e que um novo governo seria formado em 24 horas.


