LISBOA - Líderes da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) encerraram ontem uma reunião de cúpula em Lisboa prometendo segurança e paz para todos os países da instituição no século 21, mas não conseguiram superar divergências sobre questões que podem obstruir o caminho para a sonhada nova era.
No documento final da conferência de dois dias, os dirigentes dos 54 países participantes (entre eles EUA e Rússia) concordaram em respeitar a democracia e os direitos humanos, prometendo também um maior controle de armas, a criação de uma estrutura de segurança pan-européia e o fim da confrontação no continente em que começaram as duas guerras mundiais.
‘‘Enquanto nos aproximamos do novo século, é mais importante que nunca que construamos juntos uma região pacífica, onde todas as nações e as pessoas se sintam seguras’’, diz o documento de 20 páginas. ‘‘Estamos determinados a aprender com as tragédias do passado e a transformar em realidade nossa visão de um futuro de cooperação - com a criação de um espaço de segurança comum, livre de linhas divisórias, no qual todos os Estados sejam parceiros iguais.’’
Com esse esboço de aliança de segurança pan-européia, os EUA e seus aliados europeus procuraram afastar os temores russos de que a planejada entrada de países do Leste Europeu na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ponha em perigo a segurança da Rússia.
Entretanto, divergências entre as ex-repúblicas soviéticas da Armênia e do Azerbaijão quase impediram a aprovação da declaração, que necessitava de apoio unânime. Um parágrafo do texto inicial reconhecia a soberania dos dois países e pedia um ‘‘estatuto especial’’ para o enclave de Nagorno-Karabakh (território de população majoritariamente armênia no Azerbaijão) como passo para a solução do conflito pela área, que já dura oito anos.
O Azerbaijão exigia a retirada do parágrafo, enquanto a Armênia queria sua manutenção. Para contornar o impasse, os dirigentes decidiram remover o texto polêmico da declaração e o divulgaram como um documento separado. Mas a disputa, segundo analistas, mostrou o quanto é difícil resolver problemas étnicos e conflitos regionais agora que a divisão entre Leste o Oeste da guerra fria não existe mais.

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