Conferência em Estocolmo define prevenção contra o racismo e o anti-semitismo
France PresseA peste nazistaElie Wiesel, sobrevivente de Auschwitz e Buchenwald, falou no Reichstag, em Berlim. O Nobel da Paz disse que falava ‘‘sem rancor ou ódio’’, mas citou o escritor Albert Camus, destacando que ‘‘o bacilo da peste não morre jamais’’. O governo alemão iniciou ontem a comemoração do 55º aniversário da liberação do campo de extermínio nazista de Auschwitz, onde as tropas aliadas entraram em 27 de janeiro de 1945Vários países da Europa lembraram com emoção, ontem, as vítimas dos campos nazistas durante a Conferência internacional sobre o Holocausto que se realiza em Estocolmo, com o objetivo de prevenir entre as futuras gerações qualquer tipo de racismo e anti-semitismo.
Os 600 participantes da conferência, procedentes de 46 países, prestaram tributo à memória dos desaparecidos em cerimônia no parlamento sueco, seguida à tarde de uma homenagem na sinagoga de Estocolmo. A Conferência será concluída hoje, com a adoção da Declaração de Estocolmo, definindo uma estratégia para evitar a repetição da tragédia.
A mensagem mais emocionada veio do Reichstag em Berlim, assinada pelo Prêmio Nobel da Paz, Elie Wiesel. ‘‘Estou aqui e lembro’’, declarou este sobrevivente dos campos de Auschwitz e Buchenwald, evocando em seu discurso ‘‘as torturas e os mortos’’, o sofrimento dos judeus, as insidiosas leis de Nuremberg (institucionalizando o anti-semitismo e o racismo em 1935), e o pogrom anti-semita de 9 de novembro de 1938, conhecido como ‘‘a noite dos cristais’’.
Elie Wiesel disse que falava ‘‘sem rancor ou ódio’’. Na véspera, em Estocolmo, enquanto presidia a Conferência, citou o escritor Albert Camus destacando que ‘‘o bacilo da peste não morre jamais’’. ‘‘O mundo foi salvo em 1945 (...), mas o ódio ainda está vivo’’, disse Wiesel, solicitando a realização de reunião anual de um ‘‘Fórum de Estocolmo da Consciência e Humanidade’’.
Ontem, a emoção dominou a Conferência depois do anúncio da possível entrada no governo austríaco do líder da extrema-direita Joerg Haider. À tarde, o chanceler austríaco Viktor Klima foi ovacionado ao afirmar que ‘‘quem não reconhece este crime, o Holocausto, não está apto para assumir uma função pública, pois não possui as qualidades humanas fundamentais necessárias para ocupar cargo de alta responsabilidade’’.
O primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, resumiu, antes de partir de Estocolmo, o sentimento de seus pares da União Européia (UE). A França e a UE ‘‘não querem interferir diretamente na vida política austríaca’’, mas não podem evitar sentir ‘‘preocupação e inquietude’’, afirmou.
O presidente da Áustria decidiu ontem esperar até a semana que vem antes de pedir a dois grupos conservadores que formem um novo governo, que incluiria o partido de Joerg Haider.
O presidente Thomas Klestil disse a repórteres que irá se reunir com Haider, e com o ministro do Exterior Wolfgang Schuessel do Partido do Povo Austríaco, possivelmente na segunda-feira para discutir sobre suas conversas informais a respeito da formação de um novo governo.
O anúncio de Klestil seguiu-se a um encontro com o chanceler em exercício Viktor Klima, que informou sobre seu fracasso em conseguir apoio parlamentar para um governo minoritário de seus social-democratas.

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