Agência Estado
A Europa recorda hoje os 400 anos da morte de Giordano Bruno, ex-frade dominicano que foi queimado vivo pela Inquisição, acusado de heresia. Filósofo, defendia idéias que a Igreja Católica não admitia e mais tarde seriam consideradas precursoras do moderno pensamento filosófico e científico.
O prefeito de Roma, Francesco Rutelli, deu início anteontem às atividades, que vão se repetir em vários países europeus. Na capital italiana, Rutelli depositou uma coroa de flores aos pés da grande estátua do homem encapuzado que atrai as atenções no centro da Praça Campo dei Fiori. O monumento, construído por encomenda dos maçons em 1889, recorda o fim do filósofo, queimado vivo naquele local. ‘‘Morro mártir e com prazer’’, disse pouco antes de morrer. ‘‘Com a fumaça, minha alma subirá ao Paraíso.’’
A respeitada revista ‘‘Civiltá Cattolica’’, editada por pensadores jesuítas, traz em sua última edição um artigo no qual afirma a necessidade de se examinar o caso de Bruno também por seu aspecto teológico. Mas o texto deixa claro que a posição oficial da Igreja não se alterou.
Ao contrário do que ocorreu com o pensador Galileu Galilei, não há nenhum processo em curso destinado a reabilitar a figura de Bruno. Não se fala nem na revisão do processo, que, segundo a Santa Sé, ‘‘foi conduzido no rigoroso respeito às normas que regulamentavam os processos acusatórios.’’ Galileu também contestou o pensamento da Igreja, mas quando foi acusado renegou suas teorias.
Quando assumiu o pontificado, o papa João Paulo II pediu a reavaliação do processo de Galilei e, em 1992, a Santa Sé reabilitou o cientista – que defendia, como Nicolau Copérnico, que a Terra não era o centro do universo.
Bruno, herege confesso, não se retratou. Entre as acusações contra ele, a Inquisição enumerou: definia Cristo como um simples mago, falava mal da hierarquia católica, defendia a existência de vários mundos e a idéia de uma alma universal em contraste com a idéia cristã da alma individual.
No seu caso, a Igreja arrepende-se, apenas. O pedido de perdão que o papa fará no próximo mês pelos erros dos filhos da Igreja no passado inclui o trágico fim de Bruno.(Leia mais sobre Giordano Bruno na Folha Dois)

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