Europa formaliza pedido para levar Irã à ONU
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quinta-feira, 02 de fevereiro de 2006
Folhapress 
São Paulo - Alemanha, França e o Reino Unido apresentaram ontem ao Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU, uma resolução que envia o programa nuclear do Irã ao Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas.
O texto, que conta com o apoio dos cinco membros permanentes do CS, pede ao diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, que notifique o órgão da ONU sobre os descumprimentos iranianos de resoluções da agência.
O projeto de resolução destaca ainda que o Irã deve cumprir uma série de requerimentos para restabelecer a confiança perdida e esclarecer os assuntos pendentes na investigação de seu programa nuclear.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reafirmou ontem que seu país não abandonará seu programa nuclear e acusou o Ocidente de tratar o caso nuclear iraniano com uma mentalidade ''medieval''.
Ahmadinejad fez estas declarações na cidade de Bushehr, no sul do Irã, onde fica a usina nuclear do mesmo nome, após o discurso feito terça-feira à noite pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, sobre o Estado da União, no qual fez um pedido à comunidade internacional para que não permita que o regime iraniano consiga armas nucleares.
O Irã disse que todas as acusações contra seu polêmico programa nuclear são falsas, e pediu que o mundo não cometa ''um erro histórico'' ao levar o caso ao CS da ONU.
O embaixador do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, anunciou em Viena à imprensa que se o dossiê iraniano for enviado ao CS, Teerã interromperá sua cooperação voluntária com a agência e dará início à produção industrial de urânio enriquecido. Esse material serve tanto para produzir combustível nuclear em usinas energéticas como para a fabricação de bombas atômicas.
Pouco antes do anúncio europeu contra o Irã ontem, os EUA disseram que levar o programa nuclear do país ao CS é uma ''questão de credibilidade'' para a AIEA. O embaixador dos EUA na agência atômica, Gregory Schulte, disse ter recebido informações da AIEA sobre novos aspectos que chamou de ''inquietantes'' sobre o programa nuclear iraniano, que indicariam a existência de ''dimensão militar'. ''Inclui a fabricação de compostos de armas nucleares e os desenhos para mísseis'', disse.
No dia 10 de janeiro, o Irã removeu os lacres em seu centro de pesquisas nucleares para o enriquecimento de urânio, anunciando que retomaria a ''pesquisa e desenvolvimento'' nucleares com urânio, causando imediata reação dos EUA, da União Européia (UE) e da Rússia.
Segundo a AIEA, o país planeja enriquecer urânio material com utilidade militar. EUA e União Européia (UE) tinham pedido ao país a interrupção de atividades nucleares de potencial uso bélico.
A posição do Irã dificulta ainda mais as relações do país com os EUA que acusam o governo iraniano de querer desenvolver armas atômicas de destruição em massa. O Irã nega as acusações, alegando que seu programa nuclear é totalmente pacífico.


