Europa corre risco de ataque devastador
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quarta-feira, 16 de agosto de 2006
Robert McPherson<br>France Presse 
Londres- O Reino Unido atribuiu um caráter continental à ameaça de terrorismo islâmico , declarando nesta quarta-feira que a Europa em seu conjunto corre um risco ''real'' e ''persistente'' de um ataque devastador.
Seis dias depois de ter frustrado um suposto complô para introduzir terroristas com bombas em vôos dirigidos para os Estados Unidos, o secretário do Interior britânico, John Reid, reuniu-se privadamente com representantes da União Européia em Londres para traçar uma estratégia comum.
''O que é claro para nós é que estamos diante de um persistente e real perigo em toda a Europa'', disse Reid depois da reunião na qual a Comissão Européia prometeu implementar medidas para aumentar a segurança nos aeroportos, estimular a troca de informação de inteligência entre os países e melhorar o controle de explosivos.
Entretanto, a polícia pediu para a corte renovar a permissão de retenção dos 23 muçulmanos britânicos envolvidos no suposto complô, que provocou a aplicação de medidas de segurança sem precedentes e problemas de tráfego nos grandes aeroportos do Reino Unido e do mundo.
Em Islamabad, representantes do governo disseram que o Paquistão havia detido um homem ''aparentemente relacionado'' com um dos suspeitos britânicos, e que um alto membro da Al-Qaeda no Afeganistão poderia ter planejado os ataques frustrados em Londres.
Conhecemos poucos detalhes, mas parece que o complô envolvia atacantes suicidas, que introduziriam explosivos líquidos disfarçados de bebidas populares em vôos comerciais destinados aos Estados Unidos, para depois voltar a detoná-los em pleno vôo com artefatos eletrônicos.
Reid recusou-se a confirmar ou negar se o Reino Unido buscava a extradição dos suspeitos detidos no Paquistão, mas expressou sua gratidão em relação a Islamabad por sua participação na investigação.
Nas conversas em Londres participaram os ministros do Interior francês e alemão, Nicolas Sarkozy e Wolfgang Schaeuble, assim como Kari Rajamaki, da Finlândia, país que atualmente ocupa a presidência da União Européia.
Franco Frattini, vice-presidente da Comissão Européia, que também esteve presente à reunião, disse que Bruxelas tomaria medidas para melhorar a segurança nos aeroportos, assim como a cooperação transfronteiriça, antes do fim de sua presidência em dezembro.
Sugeriu medidas para impulsionar o que chamou de um ''Islã europeu'', que inclui a capacitação de imãs e o bloqueio de sites da Internet que sejam considerados como incitadores do terrorismo.
Frattini propôs a ampliação de um sistema para trocar informação sobre os passageiros, que atualmente envolve União Européia, Estados Unidos, Canadá e Austrália.
''Poderíamos explorar a elaboração de uma lista de perfis de passageiros, que possa ser consultada antecipadamente, de forma a permitir uma revisão mais rápida e fácil a bordo'', disse.


