Cidade do Panamá, Panamá – Os EUA aproveitam a derrocada econômica da Venezuela e o enfraquecimento da "petrodiplomacia" venezuelana para recuperar influência na América Latina. A "segurança energética" da América Latina, especificamente da América Central e do Caribe, é tema de todas as mensagens do governo americano. "Há grande preocupação com a crise econômica que afeta a Venezuela atualmente e o potencial impacto sobre países que se beneficiam da Petrocaribe e sobre países vizinhos", disse durante uma entrevista ontem Ricardo Zuñiga, diretor de Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.
No ano passado, os EUA criaram a Iniciativa para segurança energética do Caribe e, em janeiro, a Casa Branca promoveu a Cúpula de Segurança Energética do Caribe. Sobre a mesa, ofertas de financiamento para diversificação de fontes de energia e para reduzir a dependência do combustível fóssil fornecido pela Venezuela por meio da Petrocaribe, esquema que fornece petróleo subsidiado a 17 países da região – além dos caribenhos, Nicarágua e Haiti. O presidente Barack Obama foi à Jamaica, sua primeira parada no tour regional que inclui a Cúpula das Américas no Panamá, acompanhado do secretário de Energia, Ernest Moniz.
A Petrocaribe, criada em 2005 pelo ex-presidente Hugo Chávez, foi abraçada entusiasticamente por países do Caribe, que sofriam com os altos preços do combustível. Por meio do esquema, Caracas fornece petróleo e diesel a preço de mercado, mas permite que os países paguem apenas uma parcela pequena à vista e financiem o resto em longo prazo, com juros baixos, ou troquem por produtos agrícolas. Com isso, sobrava caixa para esses países investirem em infraestrutura, e a Venezuela ganhava influência na região. O governo americano estabeleceu um programa de US$ 1 bilhão para a região para ajudar os países.

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