O presidente norte-americano George W. Bush afirmou ontem em Crawford (Texas) que os Estados Unidos vão se retirar do Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), assinado em 1972 com Moscou, mas que ainda não há um prazo estabelecido.
''Nós nos retiraremos do ABM segundo um calendário e num momento que convenha para os Estados Unidos, mas ainda não tenho nenhuma data específica em mente'', declarou Bush, ao receber a imprensa.
''O tratado ABM nos proíbe de fazer o que queremos e o sr. (Vladimir) Putin (presidente da Rússia), conhece nossa vontade de superar esse tratado, e é o que faremos'', afirmou.
Segundo Bush, o Tratado de Mísseis Antibalísticos ''afeta a capacidade dos Estados Unidos de manter a paz e de desenvolver armas defensivas para proteger o país contra as diversas ameaças do século XXI''.
Na opinião de um funcionário de alto escalão do governo Bush, as declarações do presidente não representam uma nova postura e não significam que fracassaram as atuais discussões com Moscou sobre a questão da defesa antimíssil.
''De todas as maneiras esperamos conseguir um acordo com a Rússia em relação ao tratado'', declarou à AFP Karen Hughes, uma das principais assessoras do presidente Bush.
O presidente Bush realizou ontem uma visita não programada à escola primária de Crawford (Texas) onde, durante meia hora, respondeu a questões apresentadas por estudantes reunidos no auditório, assim como a algumas perguntas da imprensa.
Ele anunciou que concederá na manhã de hoje em Crawford uma ''entrevista importante à imprensa'' sobre questões de defesa.
A Rússia se opõe aos planos dos Estados Unidos de deixar de lado o tratado ABM para construir um escudo antimísseis.
Para Washington, o escudo antimísseis é necessário a fim de proteger o país de ameaças provenientes dos chamados ''estados vermelhos'', tais como Coréia do Norte e Irã.
A Rússia reafirmou sua adesão ao ABM, argumentando que as consultas atuais sobre possíveis cortes dos arsenais são uma condição para que o tratado se mantenha em sua forma atual.
Oficiais militares russos declararam que as conversações específicas com Washington sobre a questão da defesa antimíssil não se realizariam antes do próximo ano.

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