France PresseDiálogo secretoO governo de Bill Clinton tem um ‘‘canal privado’’ de comunicação com Teerã, segundo o Departamento de EstadoOs Estados Unidos enviaram uma clara mensagem ao Irã destacando que têm serias intenções em relação ao país, segundo uma carta ‘‘secreta’’ enviada a Teerã, cujo conteúdo foi revelado ontem pelo jornal ‘‘Washington Post’’.
Segundo o jornal, a carta foi entregue pelo embaixador da Suíça no Irã, oferecendo contatos pessoais com representantes dos Estados Unidos, algum tempo depois da posse do presidente iraniano, Mohammad Khatami, em agosto passado.
Detalhes da proposta e da resposta iraniana não foram revelados pela fonte oficial mantida anônima pelo jornal, que descreveu os apelos feitos por Khatami na televisão para restabelecer o intercâmbio cultural entre os dois países como uma forma de resposta pública.
A informação é semelhante à publicada no ‘‘Los Angeles Times’’ ano passado detalhando uma proposta dos Estados Unidos, através de um intermediário, para estabelecer contatos com o Irã.
Fontes oficiais do Departamento de Estado negaram-se a comentar diretamente a informação, reiterando que os Estados Unidos têm um ‘‘canal privado’’ de comunicação com Teerã.
Uma outra fonte oficial confirmou que está havendo consenso no governo para construir o momento propício para a mudança, o que foi mencionado por Khatami numa entrevista quarta-feira à rede de televisão CNN.
‘‘São absolutamente sérias’’, disse a fonte. ‘‘Há muito interesse. Cremos que 20 anos são suficientes’’, acrescentou.
Os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com o Irã em abril de 1980, alguns meses depois que os revolucionários iranianos tomaram 52 reféns na embaixada norte-americana em Teerã, libertados em janeiro de 1981.
Persistem, além disso, interrogações sobre se o Irã esteve envolvido na bomba que foi colocada em 1996 num complexo onde viviam militares norte-americanos na Arábia Saudita e que matou 19 pessoas.
Mas as notícias de que os Estados Unidos fizeram uma oferta por escrito são vistas como um reconhemento público de que o governo resolveu mudar sua política de isolamento pelo diálogo.
A proposta, feita por carta entregue a Teerã através do embaixador suíço, Rudolf Weiersmueller, é a primeira abertura em relação ao Irã desde o rompimento das relações diplomáticas.
A Suíça, que representa os interesses norte-americanos no Teerã e no Paquistão, faz o mesmo com os interesses iranianos em Washington.
Os Estados Unidos decidiram explorar as possibilidades de diálogo com o Irã, em parte porque o país fracassou em convencer os governos europeus de se somarem à política de isolamento para com Teerã.
Além disso, pretende comprometer-se com o Irã porque esse país exerce grande influência entre os países ricos em reservas de energia na Ásia Central e na região do mar Cáspio, onde Washington está procurando fortalecer seus interesses.
O Departamento de Estado disse que a única condição para abrir o diálogo seria que Teerã nomeasse um representante autorizado e que se comprometesse num esforço sério.
Washington disse que espera discutir com o Irã sobre terrorismo e sobre o programa de desenvolvimento de armas de destruição em massa e a violenta oposição à paz com Israel por parte de Teerã.
O Irã negou que apóie grupos terroristas e Khatami disse quarta-feira que o Irã não aspira a ser uma potência nuclear.
Khatami também disse que o Irã não necessita de vínculos políticos com os Estados Unidos, uma afirmação interpretada como um sinal de que o regime ainda não está preparado para abrir o diálogo oficial.
Mas o Departamento de Estado está examinando a proposta de Khatami de ampliar o intercâmbio e determinar se pode flexibilizar as restrições para a concessão de vistos.

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