O enviado americano ao Oriente Médio Dennis Ross iniciou na tarde de ontem uma nova missão de mediação na região com o objetivo de conseguir uma solução definitiva para o conflito entre israelenses e palestinos.
Ross deveria encontrar-se em Tel Aviv com o chefe interino da diplomacia israelense, Shlomo Ben Ami. Hoje, Ross deve se reunir com o primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e, amanhã, com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat.
Para Ben Ami, ‘‘a realização de uma nova reunião de cúpula não está prevista no momento’’, depois do fracasso das negociações de Camp David, encerradas no dia 25 de julho.
Uma fonte palestina citada ontem pelo Jerusalem Post revelou que uma nova reunião de cúpula poderia ser preparada durante encontros secretos entre israelenses, palestinos, americanos e egípcios.
Já o ministro palestino da Informação, Yaser Abed Rabbo, declarou-se pessimista em relação ao resultado das negociações. ‘‘Duvido seriamente que os contatos em curso com Israel venham a dar resultado’’, declarou.
No entanto, pela primeira vez desde o fim da cúpula de Camp David, Ben Ami e o advogado Gilad Sher se reuniram ontem com os negociadores palestinos Saeb Erakat e Mohamed Dahlan durante cinco horas para analisar questões espinhosas, como o estatuto final dos territórios ocupados, os refugiados palestinos e as fronteiras do futuro estado palestino.
Barak deve se reunir com Ross hoje. A rádio israelense afirmou que ambos vão debater uma proposta israelense que prevê a realização, no final de agosto, de uma reunião de cúpula preliminar em Washington entre os negociadores chefes israelenses e palestinos.
Segundo declarações publicadas ontem pelo Jerusalem Post, o ministro palestino de Cooperação Internacional, Nabil Shaath, afirma que ‘‘o presidente Clinton está interessado em convocar uma segunda reunião de cúpula’’. ‘‘Os egípcios tentam elaborar uma fórmula sobre Jerusalém e as outras questões, que preserve nossos interesses e nossos direitos’’, disse.
Os Estados Unidos temem eventuais provocações contra os esforços de paz. O Departamento de Estado pediu prudência aos cidadãos americanos em viagens a Israel, Cisjordânia e faixa de Gaza.
Um palestino afirmou ao jornal Maariv que é o dono do terreno no qual foi construída a casa onde mora Ehud Barak, localizada em Kochav Yair, no Nordeste de Tel Aviv.
‘‘A casa de Ehud Barak e de sua mulher fica em um terreno que pertence à minha família há centenas de anos’’, disse Daud Mohammad Hassan Mustafá, de 84 anos. ‘‘Hoje, é lá que está a casa de Barak e uma pista de aterrissagem de helicópteros, pois Israel confiscou o terreno nos anos 80’’, sustentou.
‘‘Quando os refugiados forem autorizados a retornar, exigirei que Barak devolva a minha terra. Não quero ser seu vizinho’’, disse Mustafá, acrescentando que, em junho de 1967, soldados israelenses mataram sua mulher durante a guerra árabe-israelense e que esteve preso durante 10 anos ‘‘devido a atividades contra a ocupação’’.

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