Awad Awad/France PresseRuas de ódioEm Belém, palestinos atacam israelenses até com estilingues O principal mediador de paz dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Dennis Ross, chega hoje ao Marrocos para uma reunião de emergência com o presidente palestino Yasser Arafat, e a seguir embarca para Israel onde se encontrará com o premier Benjamin Netanyahu. A tarefa do negociador será tão difícil quanto à que teve no ano passado - depois de uma onda de violência que custou a vida de 61 palestinos e 15 israelenses - em que Ross mediou a transferência por parte de Israel de quase toda a cidade de Hebron à autonomia palestina.
A violência explodiu ontem pelo sétimo dia consecutivo, desta vez na autônoma Ramallah, na Cisjordânia, onde centenas de palestinos desafiaram com pedras e garrafas soldados israelenses num posto fiscal. As tropas novamente responderam com balas de borracha e gás lacrimogêneo. Um hospital de Ramallah informou que cerca de 25 manifestantes foram tratados ou de ferimentos de balas ou de inalação de gás lacrimogêneo. Em Belém, na Cisjordânia, palestinos assobiavam e batiam palmas enquanto queimavam ostensivamente bandeiras dos EUA e de Israel.
Mas declarações de ambos os lados feitas ontem dão poucas esperanças de uma solução rápida para a questão, mesmo com a presença do enviado norte-americano. ‘‘Estamos agora numa crise e numa emergência’’, afirmou o secretário de gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Danny Naveh, na televisão de Israel.
‘‘Ross terá de encontrar uma fórmula, como ele fez anteriormente’’, disse Leslie Susser, da revista The Jerusalem Report. ‘‘A fórmula deve envolver os palestinos assumindo um forte compromisso na repressão ao terror e os israelenses se comprometendo a não fazer qualquer ação unilateral no front da paz’’, afirmou Susser.
O chefe da polícia de Israel, Assaf Hefetz, advertiu ontem na rádio de Israel sobre o potencial de mais violência, dizendo: ‘‘Neste estado das relações, quando não há cooperação, as condições são boas para as organizações terroristas agirem’’.
Divergências‘‘Esperamos que o senhor Ross fale alto e em bom som ao senhor Netanyahu para parar com as causas que levaram à violência - para parar seus buldôzeres, para parar esse assentamento e colocar o processo de paz de volta aos trilhos’’, disse ontem o negociador palestino Saeb Erekat.
O mesmo tom foi utilizado por David Bar-Illan, assessor de Netanyahu: ‘‘Espero que ele (Ross) consiga uma coisa que pode salvar este processo de paz, que é uma mudança de posição por parte da Autoridade Palestina na questão de terrorismo e segurança’’.
A crise emergiu novamente quando Netanyahu ordenou o início da construção de um assentamento judeu de 6.500 moradias na semana passada na árabe Jerusalém Oriental. Os confrontos explodiram na semana passada e culminaram, na sexta-feira, no ataque de um palestino suicida que explodiu uma bomba num café de Tel-Aviv matando três mulheres israelenses.

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