Washington - Os Estados Unidos confirmaram ontem o primeiro caso de ebola contraído no país, o que põe em cheque as medidas de proteção adotadas e representa um duro golpe na luta mundial contra a epidemia.
A pessoa afetada é uma funcionária do Hospital Presbiteriano de Dallas, local onde foi tratado o liberiano Thomas Eric Duncan - vítima do ebola que morreu na última quarta-feira. O anúncio do contágio reacendeu os temores acerca da capacidade dos países em conter a maior epidemia de ebola desde a identificação do vírus, em 1976.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a epidemia já deixou mais de 4.000 mortos entre 7.399 casos detectados em sete países, entre eles Libéria, Serra Leoa e Guiné. Até o momento, não existe vacina ou tratamento contra o vírus, que se transmite por contato direto com fluidos corporais uma vez que o paciente desenvolve os sintomas (febre, vômitos, dores musculares). Os profissionais da área de saúde devem usar uma roupa protetora para tratar os casos de Ebola.
O Centro para o Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) abriu uma investigação devido a este caso suspeito com o objetivo de detectar mais trabalhadores do setor de saúde expostos a este vírus.
"Não sabemos o que aconteceu no cuidado do paciente, o paciente original em Dallas, mas em algum ponto houve uma quebra no protocolo e esta quebra resultou na infecção", disse o chefe do CDC, Tom Frieden, à imprensa.
Segundo os funcionários de saúde, a doente - que pediu o anonimato - disse que não sabia se havia desrespeitado o protocolo de segurança.
O chefe clínico do departamento de Recursos Sanitários do Texas, Dan Varga, comentou que os funcionários estão muito preocupados porque, segundo eles, esta pessoa contraiu o vírus apesar de seguir todos os protocolos de segurança.
A Casa Branca informou que o presidente Barack Obama conversou por telefone com a ministra da Saúde, Sylvia Burwell, insistindo que os resultados da investigação de Dallas sobre as circunstâncias do contágio devem ser compartilhados "rapidamente e amplamente".

Paciente espanhola
O caso da mulher norte-americana é a segunda contaminação fora da África, depois da auxiliar de enfermagem Teresa Romero, que contraiu o vírus ebola no final de setembro num hospital de Madri, onde cuidou de um missionário espanhol infectado na África. "Ela melhorou durante a noite. Está consciente e fala nos momentos em que está bem", disse uma fonte do hospital Carlos III de Madri.
Teresa Romero, hospitalizada desde a última segunda-feira, teria sido contaminada ao cuidar de um missionário espanhol repatriado a Madri e que morreu vítima do ebola no dia 25 de setembro.
Quinze pessoas, em sua maioria funcionários do hospital e o marido de Romero, estão em observação. Até o momento nenhum deles apresentou sintomas de infecção.

Luta mundial
Os casos na Espanha e nos Estados Unidos mostram a seriedade do temor expressado pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a propagação do vírus. O CDC estimou que o número de casos em nível mundial pode aumentar no pior cenário a 1,4 milhão até janeiro.
Vários países começaram a aplicar controles mais rígidos a passageiros procedentes de Libéria, Serra Leoa e Guiné. Nos Estados Unidos, o aeroporto de Nova York, JFK, se tornou neste sábado o primeiro a começar a aplicar controles mais rígidos e outros aeroportos do país e do mundo também preveem aplicar medidas de controle mais específicas para os passageiros procedentes da África Ocidental.
O Canadá aconselhou seus cidadãos a deixarem os países da África Ocidental na medida do possível, enquanto o Reino Unido disse estar preparado para uma eventual chegada do vírus em seu território. Phil Smith, do Centro Médico Nebraska, onde está internado Ashoka Mukpo, um cinegrafista norte-americano de 33 anos infectado na Libéria, informou que o paciente fez "grandes progressos". Ele "responde bem aos tratamentos", comentou.

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