EUA têm dia de República de Bananas, diz jornal italiano
O complexo sistema eleitoral americano e a indefinição do resultado da votação da Flórida foram alvo de críticas, piadas e comentários sarcásticos ao redor do mundo. Se algo assim ocorre nos EUA, como se pretende que tudo seja limpo e transparente nos pobres países da África, indagava o La Reference Plus, jornal independente da República Democrática do Congo (ex-Zaire). Fala-se de urnas não escrutadas, manipulações e votos não considerados: vícios encontrados normalmente em eleições africanas, continuou o jornal. Na Itália, o diário La Repubblica não perdeu a oportunidade de estampar em sua manchete de ontem: Um dia de república de bananas.
O tablóide sensacionalista britânico The Mirror trouxe em sua capa uma montagem fotográfica na qual George W. Bush e Al Gore apareciam sentados num banco vestidos como o personagem do ator Tom Hanks no filme Forrest Gump. Forrest Chumps: você nunca sabe o que pode encontrar numa caixa de chocolates, dizia a legenda.
Na Argentina, o Página 12, trazia uma manchete em inglês: E o vencedor é.... Na França, âncoras passaram a manhã falando da história, sentados em estúdios decorados em azul, vermelho e branco.
O jornal comunista LHumanité estampou. Sem essa relíquia da época do faroeste, de Búfalo Bill e do trem a vapor, o presidente dos Estados Unidos já seria conhecido: Al Gore.
Já em Beirute, um jornal libanês pediu desculpas por ter declarado Gore vencedor das eleições americanas. Pedimos desculpas por termos colocado um fim no que não estava ainda concluído, escreveu o editor do As-Safir, Talal Salman. Estamos acostumados à profunda tradição árabe de democracia em que os resultados são primeiros declarados, então as eleições são realizadas e os eleitores comparecem para confirmá-los, ironizou.
Os jornais russos também recorreram à ironia. A eleição nos Estados Unidos parece mais um drama digno de Hollywood do que um acontecimento político, diziam. O jornal Vremia MN trazia o título: Estados Desunidos da América.
A formidável prosperidade econômica permitiu aos americanos não conceder muita importância a detalhes, como as plataformas política e econômica dos candidatos ou a necessidade de que eles pertençam ao mundo dos vivos, ironizou o diário russo, referindo à eleição de Mel Carnahan, morto semanas antes da votação, ao Senado pelo Estado do Missouri.
O governo cubano aproveitou a confusão com os resultados das eleições presidenciais para criticar o sistema americano, assinalando que ele nada tem de democrático. O povo americano foi dormir pensando que elegeu democraticamente seu próximo presidente e, quando acordou, viu que não foi bem assim, escreveu Lázaro Barredo, parlamentar e colunista do diário estatal Trabajadores.





