EUA suavizam proposta sobre o Iraque
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sexta-feira, 18 de outubro de 2002
Agência EFE 
Nações UnidasOs Estados Unidos suavizaram ontem, na ONU, sua postura sobre o Iraque e apoiaram uma única resolução que estabelece as exigências para as inspeções de desarmamento, e se Bagdá não cumprir, que enfrente as consequências, embora não tenha mencionado explicitamente o uso da força. ''A resolução deve ter exigências claras e imediatas que o Iraque deve cumprir voluntariamente se decidir cooperar'', declarou o embaixador norte-americano na ONU, John Negroponte.
O embaixador disse que a resolução deveria ser firme e sem ambiguidades para que as inspeções de armas de destruição em massa fossem mais efetivas, e se o Iraque não cumprir com suas obrigações ''nós e outros Estados seremos forçados a atuar''.
Os EUA e o Reino Unido, seu aliado, realizaram uma campanha diplomática com poucos resultados para convencer os outros membros do Conselho de Segurança sobre seu ponto de vista, e para que o principal órgão de decisão da ONU adotasse uma resolução que autorizasse o uso da força.
Diante da falta de unidade no Conselho, o representante dos EUA suavizou sua linguagem no debate, apoiou a aprovação de uma única resolução e não mencionou o uso da força como última instância.
França, Rússia e China, outros membros permanentes do Conselho que têm direito a veto, mostraram sua oposição a autorizar uma ação militar se o Iraque não cooperar.
Negroponte expressou seu ceticismo sobre a ''nova vontade de cooperação'' de Bagdá e disse que depois que as autoridades iraquianas aceitaram o retorno incondicional dos inspetores, ''impuseram condições imediatas''.
O chefe da Comissão de Controle e Verificação do Desarmamento no Iraque (UNMOVIC), o sueco Hans Blix, disse há pouco que, se houve atraso no envio dos inspetores, não foi culpa do Iraque mas porque preferiam ''que fosse adotada primeiro a resolução da ONU na qual se estabelecessem as novas instruções e regras práticas''.
O representante dos EUA explicou que ao lado da intensa atividade diplomática na ONU, seu Governo já adotou uma resolução do Congresso em que foi dado sinal verde ao uso da força, ''se fracassarem os esforços diplomáticos''.
Quando o presidente norte-americano, George W. Bush, ''assinou a resolução, disse que não ordenou o uso da força, já que os EUA esperam que não seja necessária uma ação militar'', lembrou Negroponte.
Bush acrescentou que o Iraque tinha que escolher entre renunciar às armas de destruição em massa ou os EUA liderariam uma coalizão internacional para desarmá-lo.
O presidente destacou a necessidade de união do Conselho de Segurança e o desafio que representa a questão do Iraque para a comunidade internacional, em sua responsabilidade de confrontar as ameaças contra a paz e a segurança internacional.
O embaixador britânico, Jeremy Greenstock, fortemente criticado por seu apoio incondicional aos EUA, quis deixar clara sua postura. ''O objetivo firme da Grã-Bretanha é o desarmamento total do Iraque no que se refere a armas de destruição em massa, por meios pacíficos. Repito, nossa preferência é uma solução pacífica à crise contra o Iraque'', reiterou Greenstock.


