EUA sediam G-7 em posição invejável
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quarta-feira, 18 de junho de 1997
Paulo Sotero Agência Estado Washington 
O presidente Bill Clinton desembarca hoje em Denver (Colorado), para receber os líderes das potências industrializadas e o presidente da Rússia, Boris Yeltsin, numa posição invejável para o exercício da liderança mundial dos Estados Unidos. O País está em paz e vive um momento de prosperidade incomparável no último quarto de século, com crescimento robusto, o déficit público em declínio, o menor desemprego desde o início dos anos 70, a menor inflação em dez anos e as exportações em expansão.
Em contraste, europeus e japoneses, aliados estratégicos dos EUA durante a Guerra Fria e seus principais competidores na nova guerra mundial por mercados, chegam à Cúpula de Denver politicamente enfraquecidos pelos problemas conjunturais e estruturais de suas economias. A Alemanha e a França, as duas maiores potências econômicas da Europa, apresentam-se divididas sobre o principal tópico do processo de criação da UE - a adoção da moeda único, o euro, no prazo previsto de 1999.
Com toda probabilidade, os parceiros dos EUA ouvirão o que querem e o que não querem durante os três dias da reunião do Grupo dos Sete, que Clinton rebatizou de Grupo dos Oito para incluir formalmente a Rússia. Estamos vivendo atualmente o mais vigoroso desempenho da economia americana em uma geração, disse o vice-secretário do Tesouro, Lawrence Summers, um dos organizadores da Cúpula.
ComparaçãoNos três dias de reuniões em Denver, que começam oficialmente amanhã, a força da economia americana definirá os termos do debate no qual Clinton procurará pregar a seus aliados as virtudes do modelo econômico flexível, com mínimas garantias sociais, praticado nos EUA.
Nós temos hoje uma economia que se concentra na criação dos empregos de amanhã, observou ao Journal of Commerce David Rothkopf, ex-alto funcionário do Departamento do Comércio. A Europa tem uma economia concentrada na proteção dos empregos do passado. Embalado pelo sucesso da economia americana, Clinton pretende usar a reunião do G-8 para pregar reformas estruturais na Europa e avançar a agenda de Washington em várias frentes.
A proposta de maior relevância imediata para o Brasil envolve a criação de uma rede global de acompanhamento dos mercados financeiros e um programa para incentivar os países emergentes a fortalecer seus mecanismos de supervisão bancária, com o objetivo de evitar ou conter crises financeiras como as que atingiram o México, no final de 1994, abalaram mais recentemente a Tailândia e a República Checa. São países que, a exemplo do Brasil, têm déficits crescentes em conta corrente.


